Um dia o Amor vem

Junho 28, 2009

Olhei e quase não comprei o tal livro. O título me intimidava: O poder curativo do Amor. Mas, o vendedor me convenceu, ou talvez, eu mesma tenha me convencido, de que talvez seja a hora de parar e pensar nessas coisas.

Há algum tempo li um artigo que trazia uma pesquisa que falava sobre a média de vezes que uma pessoa se apaixona na vida. Daí, pensei em escrever o que as minhas experiências amorosas trouxeram para mim, porque isso me ajudaria a pensar sobre elas de forma conclusiva. Adiei o pensamento. Dificilmente gostaria de tocar nesse assunto. Até que me ocorreu, que as pessoas geralmente falam de seus relacionamentos passados quando já estão resolvidas em relação a eles. Retomei o pensamento. E comecei a rascunhar.

 O meu coração sempre foi meio vagabundo. No geral, gosto da ideia de gostar de alguém. Antes, era difícil lidar com a quantidade de vezes que me interessava, e logo em seguida, me desinteressava por alguém. Mas, no decorrer dos meus 25 anos, me tornei menos inconstante. Costumo brincar que a minha vida amorosa segue uma particular regularidade, ou seja, eu me apaixono de 5 em 5 anos.

Aos 15, tive um amor de infância. Penso: Como eu era perdida. Não sabia o que fazer, não sabia se gostava ou não, um dia eu estava de um jeito e no outro dia de outro. Não conseguia assumir o que eu sentia, não conseguia dormir, ou dormia demais para não ter que pensar no assunto. Lembro bem de um professor que disse na época: o amor é um jogo, o mais inteligente vence e o menos inteligente se apaixona. Resumindo: eu não queria ser o menos inteligente (risos).

Aos 20 anos, tive uma aventura. Testava os meus limites. Era 8 ou 80, tudo parecia demais, inflamado. Eu tinha plena consciência que não era uma relação saudável. Não deu certo. Parti pra outra.

Aos 24 anos, estive o mais próximo possível do que acredito ser o amor. Mas foi apenas próximo. Não consigo dizer mais nada sobre esse assunto.

 Agora vou ler o livro, esperar que me cure de alguma forma e aguardar os 30 anos (risos).

Termino esse texto com a frase que uma grande amiga me disse outro dia e que não saiu mais da minha cabeça, passou a ser um mantra: “Um dia o amor vem”.

E assim cultivo a esperança.


Bem-vindo ao novo

Junho 28, 2009

Outro dia estava trocando figurinhas com os amigos, quando disse que o Rio de Janeiro é o lugar da diversidade. E isso, sem dúvida, é uma das coisas que eu mais gosto aqui. Diversidade é andar na Lapa e escutar todo tipo de estilo musical, do rock ao funk, do forró a tecnomacumba (seja lá o que isso for), ir a praia e ver todo tipo de gente, misturar bossa nova com samba para ver no que dá.

Vai ver que é por causa da diversidade que se criam tão boas estampas na moda carioca, se mesclam tão bem as cores dos biquinis com a cor mestiça da pele das brasileiras. Diversidade é observar a natureza com as suas nuances.

Quem me conhece, sabe que sou cheia das implicâncias. Tenho revisto algumas para dar mais abertura à diversidade. Vi que estou numa fase ótima para experimentar. Misturei os estilos de leitura -  estou lendo pelo menos 3 livros, um de filosofia, um de crônicas e outro de ficção. Misturei torta de limão com doce de leite caseiro. Fiz um mix no meu playlist musical, no meu guarda roupa e até no cheirinho da minha casa, que agora exala capim limão, jasmim e flor de laranjeira. E sigo adiante curtindo a nova onda de diversidade, observar como tudo pode ser combinado, mesmo quando não faz o menor sentido. O sentido, afinal, cabe a nós decidir. Então, nada melhor do que experimentar só pra ver no que vai dar.


A Cabana, vale a pena ler.

Junho 13, 2009

Bom, vim aqui numa missão muito simples. Recomendar um livro. Dividir um livro é também compartilhar parte de um ponto de vista, de emoções e de histórias únicas. É poder conversar sobre aquilo o que se leu. Apesar da leitura ser um momento bastante particular, conversar sobre o conteúdo é algo extremamamente valioso. Sou suspeita para falar dada a minha paixão por livros. Mas, posso garantir que os livros tem me trazido bons e inesquecíveis momentos que passei com a minha família e amigos. Alguns de vocês são prova disso.

Venho aqui indicar o livro “A Cabana” para aqueles que têm curiosidade de como seria Deus e como se dá o relacionamento entre ele e a raça humana. É um livro bastante questionador, derruba alguns dogmas e faz realmente você refletir sobre a vida.

Em síntese, trata da história de um homem que teve a filha assassinada e para resolver esse grande trauma teve uma D.R com Deus.

É muito enriquecedor. Adorei.

Ah… e se você tiver algum preconceito com o gênero, achar que é auto-ajuda e etc, vou logo dizendo que quem não ajuda a si mesmo é que tem graves problemas.

Vale a pena. Um pouco mais de Deus para quem acredita e para aqueles que não acreditam é sem dúvida um pouco mais de Amor.


Liberdade para ver

Junho 13, 2009

Estava nas páginas amarelas da Veja, mas o que chamou a atenção mesmo foi o que veio escrito lá no finalzinho em letras pretas e miudinhas – a maneira de Jean-Paul Sartre pensar sobre a liberdade.

E de uns tempos para cá, venho confirmando a teoria dele no meu dia-a-dia. Dizia ele, não exatamente com essas palavras, mas o sentido é o mesmo: liberdade é viver feliz com aquilo que se tem. Longe de qualquer perspectiva conformista ou acomodada de ver a vida, isso faz todo o sentido.

É conhecida a pirâmide das necessidades humanas de Maslow, que fala que o Homem vai suprindo das suas necessidades mais básicas até chegar as de auto-realização que seriam também as mais intangíveis. Em uma sociedade de consumo é bastante comum pensarmos que sempre temos alguma coisa para conseguir, alcançar, seja um objeto, um cargo, um título que confira status. E não viver na cobrança de ter que subir todos esses degraus, o que na minha opinião, deve gerar uma angústia ou paranóia sem fim, deve ser a tal liberdade que Sartre falava. 

Liberdade é uma sensação que sempre esteve ali até o dia em que você desperte para ela.

Acredito que o ser humano tenha mesmo que dinamizar todos os aspectos da sua vida sejam eles sociais, intelectuais, amorosos, espirituais, etc para alcançar o equilíbrio. Mas a liberdade consiste em ser feliz com o que você já alcançou. Trata do momento presente, de olhar para ele e saber desfrutá-lo.

Tudo na vida segue um fluxo natural, mesmo que a gente não entenda. Fazer a sua parte é mais do que essencial, o caminho vai se abrir de uma forma ou de outra.

 Vira e mexe tem alguém – inclusive eu - reclamando do clima no Rio de Janeiro, ou que está muito quente ou que chove muito e faz frio. Deixando um pouco de lado as discussões sobre aquecimento global e etc, a natureza tem a sua forma de ser, ocorre em ciclos. E assim como é importante o verão, também é o outono, o inverno até chegue novamente a primavera. Isso é parte de ser feliz com o que se tem. Isso é começar a enxergar a liberdade de Sartre em todos os aspectos da vida. Portanto, se está frio meus amigos, que ótimo, vamos andar chiquérrimos, dividir um edredon e comer fondue.

Muito menos filosófico mas não menos importante, existem alguns versos de uma música do Lulu Santos que gostaria de correlacionar com o que tenho escrito sobre liberdade até agora.

“Tão bem” (Lulu Santos)

“Ela demonstrou tanto prazer
De estar em minha companhia
Eu experimentei uma sensação
Que até então não conhecia
De se querer bem
De se querer quem se tem…”

Liberdade. Está logo ali, esperando que você desperte para ela. É só saber enxergar.

Grande beijo a todos.

Nayla.

Ps: Só eu mesma para passar de Filosofia para Pop Rock nacional. Aff… (risos)


O bem atuante

Maio 17, 2009

Esse texto começa sem a preocupação de ser pretensioso, dicotômico e esquizofrênico. Mas de repente pode se tornar tudo isso (risos).
Para início de conversa, acredito que o Homem nasce essencialmente bom, mas preservar-se dessa maneira é uma das nossas grandes missões na vida, alguns chamam de karma, outros de plano, outros de meta, alguns dizem que cabe a Deus, alguns dizem que cabe ao Homem mesmo… Enfim, essa discussão toda teve início porque algo muito ruim me aconteceu. Há alguns dias fui vítima de estelionato o que causou um certo transtorno, já que fizeram “o rapa” na minha conta bancária e levou também a uma série de discussões entre os meus amigos.
Uma delas se refere ao fato de eu tornar público esse golpe e assim prevenir outras pessoas, o que recai mais ou menos naquele tipo de história, “é claro que pode não dar em nada” mas pelo menos se você denunciar outras pessoas podem se precaver. Um grande amigo me disse que esse tipo de coisa só acontece, porque os bons se calam enquanto os maus fazem a festa. Fiquei pensando a respeito.
Pensei, ironicamente, que os maus levam a maior fé nas atrocidades que fazem, enquanto os bons, muitas vezes tem fé vacilante. Acreditam que não vai dar em nada, que a Justiça é lenta, que o Brasil é uma merda, que ninguém se responsabiliza por nada e mais uma série de outras reclamações que somadas, essas sim, não levam a lugar algum. Se ninguém se responsabiliza e se trata da sua vida e dos seus interesses, que tal vc mesmo se responsabilizar? Esse é o bem atuante. Não é só ver todo mundo perdendo as casas nas enchentes do Norte e Nordeste e pensar: “putz, que merda”. Acho que seria algo do tipo: “putz, que merda… mas será que eu posso fazer alguma coisa pra ajudar?”
Graças a Deus o meu prejuízo foi meramente financeiro e também intelectual, porque muita gente me pergunta, como eu fui cair no papo dos caras. A resposta é simples: assim como muita gente cai. Como diz a minha mãe, bandido é tudo profissional.
E eu ainda me peguei falando pro meu amigo: – Isso aconteceu logo agora que eu ía fazer a doação pro pessoal do Maranhão!?
Resultado: no outro dia, me levantei reuni algumas coisas que tinha e fiz a doação mesmo assim. Primeiro por acreditar que tenho que fazer a minha parte, e segundo, para acreditar que o bem tem um espaço muito maior na minha vida do que qualquer maldade que possa vir a me acontecer. E isso é uma decisão.


Fecha parágrafo

Maio 17, 2009

Leu algumas palavras e ponto. O ponto final. Seco e direto. Sem meio termo, sem termo, sem muita explicação. Que satisfação há de haver afinal?
E foi assim: sem ver o rosto, sem ver as lágrimas, sem ver. Desse jeito cego acabou por lançar-se nos travesseiros que ainda tinham o cheiro dele, uma mistura de Armani com tabaco. E passados aqueles dias sem o menor sentido, sem comer e sem dormir, atônita, levantou-se.
A primeira providência foi lavar a roupa. Arrumar tudo o que tinha do lado de fora, já que dentro estava a mais completa bagunça. Livrou-se, mas ainda assim, não se libertou daquele sentimento.
Eram duas as perguntas que lhe vinham a mente: o que fez? E o que faria agora?
O passado se encontrava com aquela expectativa frustrada de futuro, que se tornou, de repente, tão obscuro. Um futuro do qual, tempos antes, tinha tanta certeza.
E morreu a cada dia um pouco, tentando aniquilar a mágoa. Pensava que coisas ruins também acontecem para quem se considera ou tenta ser uma boa pessoa. E a verdade é que nunca se sabe os porquês.
“A injustiça existe”, concluiu. E de sentir-se injustiçada só imaginava que alguém teria feito justiça colocando um fim, seja ele qual fosse, naquela situação.
Pela primeira vez gostou de verdade, tanto que chegava a doer, mas depois, o que ficou mesmo foi a dor. E o gostar aquiesceu.
Passou os dias de um lado para o outro inquieta, experimentando os mais variados tipos de sentimento: raiva, rancor, mágoa, até chegar ao silêncio. Sentiu-se isolada num silêncio que nunca fez parte dela: sufocante.
E de imaginar que alguém tentou lhe dizer o que veria quando olhasse pra trás, como teria tanta certeza? - “Você não tem os meus olhos” - pensava afinal que não há o que dizer quando não enxergamos senão pelos nossos próprios olhos. E esses são os dela, que apesar de tudo, enxergam que hoje essa dor só existe porque é proporcional a quantidade de amor que se tem ou que se teve por alguém um dia.

Obs: Esse é um texto antigo, e essa é a parte da história publicável, a outra virou silêncio (Nayla Soutelo).


Abril 26, 2009

[O "início" de um recomeço - antiga e atual entrada do meu antigo e finado orkut]

Voltei a escrever
“Prosear” em verso
E confesso que há uma estranha liberdade em manipular a palavra
Que muitas vezes fala por si só

Na ordem direta
Ou no inverso da ordem
Agora posso falar da desordem que é ser mulher
E ainda assim gostar

Voltei a versar
Aquela longa prosa entre eu e eu mesma

E agora
Mesmo que possa me custar,
Voltei a escrever
A falar por mim
A ser mulher, desordem, e livre
E gostar.


Ímpeto

Abril 26, 2009

[Em alguma madrugada afora, em um tempo que não o agora, nasceram esses versos. E faço já uma errata, da paixão vieram, e não do amor, como houvera antes confessado].

“Ímpeto”

O amor não tem lógica
Nem razão, nem nexo
É complexo
E não faz o menor sentido
Então porque tantas pessoas o sentem?
Algumas sentem tanto,
enquanto outras apenas sentem muito…

O amor é inconsequente, descabido, desmesurado.
E contrário a tamanho descontrole,
consegue ainda ser um tanto devotado.

O amor não satisfaz, porque sempre se busca um pouco mais.
O que fazer?
Não há como alimentar um amor menor,
Comedido, tímido.
Antes não amar, do que amar um amor reprimido.

Aos amores, incompreensão.
Aos amantes, perdição.
Aos que ainda não amaram, inquietação.
Aos que não mais amam, comiseração.


/join #Amapa

Abril 23, 2009

Quem diria? Quando a internet estava apenas começando, eu estava lá. Naquela época em que se comprava um pacote de horas para acessar a internet. No tempo em que eu esperava ansiosamente as madrugadas para poder ouvir aquele barulhinho da conexão discada. Que fase.

Ótima fase. A galerinha do MIRC, os IRContros, os nicks e aquele bando de janelinhas piscando na tela do computador, os pvts.

A febre era tanta, que na sala de aula, sempre algum amigo pegava um pedaço de papel e desenhava o canal #Amapá, colocava os nossos nicks lá e começávamos o bate-papo “pseudo virtual” na maior bagunça.

Era tempo de muitas conversas veladas, de segredos, bastidores, azaração, apostas e até casamento. Sim… casório. Eu sou casada virtualmente com um grande amigo meu, que coincidentemente, vai casar agora na vida real.

Eu tinha outra identidade, era ^Sabrina, “Brina”, para os íntimos. E todo mundo me perguntava o porquê desse nick se o meu nome era completamente diferente, e eu respondia, que era uma questão de simpatia com o nome ou simplesmente para preservar a minha identidade dos mais incovenientes.

Fiz amigos virtuais que se tornaram reais e de longa data, pois o MIRC acabou, mas as conversas continuam pelo MSN, trocamos depoimentos pelo orkut, compartilhamos idéias em blogs e tudo o mais.  Eu sou dessa época, da revolução digital. O meu primeiro namorado foi virtual e nem um pouco platônico.

E hoje em dia se prolifera com uma velocidade impressionante o número de formas de interação pela web, são tantas, que eu me sinto em constante fase de inclusão digital. Mas, sou uma “old fashion girl”, sinto uma saudade lá do começo, do barulhinho da conexão, de acordar no meio da noite, da galerinha do MIRC e daqueles ares de novidade.


Palavreando

Abril 14, 2009

Deus me fez capaz de muitas coisas, e eu, pela vida e pelas experiências, me fiz incapaz de algumas.
Uma delas é não voltar atrás. E para não correr o risco de dizer “nunca”, eu quase nunca volto atrás, como naquele provérbio que diz existirem três coisas na vida que não voltam atrás: a flecha lançada, a palavra proferida e a oportunidade.
Fico pensando particularmente sobre a palavra. As palavras são uma parte muito significativa da minha vida. Penso que elas diferenciam o Homem, traduzem a inteligência, os pensamentos, os sentimentos, insuflam almas, determinam ações, geram movimentos. Talvez por considerar a importância que as palavras têm para mim, elas soem diferente do que para a maioria das pessoas.
E a cada dia aprendo a conviver com as minhas palavras, uma das minhas últimas grandes lições foi aprender a ouvir, refletir e depois emitir opinião sobre determinada coisa. E só de pensar quantas coisas na vida são ditas sem pensar…

Certa vez me foi dito que as palavras são como sementes, e eu não poderia dar melhor definição, imagino que quando são boas, elas frutificam e se multiplicam por muito e muito tempo e para pessoas além daquelas a quem imaginamos dizer alguma coisa. E quando ruins, acho que envenenam algum lugar do coração.

E para não dizer palavras amargas acredito que a melhor solução seja ficar em silêncio por um tempo, quem sabe, dentro de nós, não exista alguma fórmula mágica capaz de curar as sementes antes de jogá-las novamente ao vento? Eu acredito em magia, porque como disse lá no começo, Deus nos fez capaz de muitas coisas e aí é que entra a oportunidade.