Impressões. Assim tentaram me definir: 40% de loucura e 60% de que?
Imagino que seja de lucidez. É o que se opõe à loucura. Mas na verdade sou “momentos”. E não me imagino sendo 100% de alguma coisa, pois como dizia Nelson Rodrigues, ‘toda unanimidade é burra’. E eu, apesar de falsa loira, me julgo inteligente.
Fico aqui me perguntando se seria mais difícil discorrer sobre a quase metade de loucura do meu ser, ou os 20% que me rendem ainda o status de pessoa socialmente aceitável, ou melhor dizendo, “normal”.
Eu até gostaria de assumir o meu lado insano e primitivo, talvez o mais próximo do eu verdadeiro, do ID de Freud, com a falta de compromisso digna dos loucos. Mas, infelizmente (diz minha porção louca), ou felizmente (diz minha porção racional), sou uma pessoa responsável.
Alguns amigos atribuem à loucura, apenas ao fato de eu ser uma pessoa apaixonada. Mas nos meus vinte e poucos anos de vida vim colecionado adjetivos os mais diversos para os meus atuais 40%: já fui “louca”, “apaixonada”, “volúvel”, “de lua”, “sem manual de instrução”, “complicada”, etc, etc.
E também já fui todas as coisas diametralmente opostas a isso: “racional”, “fria”, “metódica”, etc, etc.
Por isso, assumo sem o menor pudor os meus ”eus”. E não poderia deixar de acreditar que tenho personalidades fortes, mais de uma fala por mim, inclusive. Sou do tipo: “leve dois, pague um”. E quem vier a viver comigo, seria curiosamente parte de um triângulo amoroso.
Duvido até das minhas proporções: 40% e 60%. Será? Sou variantes. Uma pessoa que oscila, alguém em constante movimento até o último fio de pensamento. Só não sou 100%, porque sou Rodrigueana, mas se não fosse ele, quem sabe?