Adoro o humor dos velhinhos. Simplesmente amo.
Eles tem aquele ar despreocupado com as piadas que fazem. Como se realmente já tivessem vivido e visto tudo na vida.
Outra dia uma senhora brincou no elevador: “eu queria viver mais”. E disse que se fosse o caso, faria mais faculdades, casaria mais vezes, faria mais loucuras e queria ter tempo para viver essa diversidade de coisas.
O que eu também acho ”tragicômico” é a facilidade que eles têm para brincar com a morte e coisas do gênero, outro dia um senhor me abordou, dizendo que comeria um tartelete igual o meu, e se fizesse mal, era vela e caixão. E sorriu um riso tão gostoso que foi impossível não arrancar também um sorriso meu e da moça do balcão.
Já vi casos, em que as pessoas fazem piada até de suas doenças, das dentaduras e de todo o resto. Elas chegam ao ponto de fazer do mal-humor algo extremamente engraçado, aceitável, leve. Na minha família as reclamações da nossa “velhinha” sempre dão lugar a alguma espécie de chantagem emocional das boas, feitas só para chamar a nossa atenção.
Talvez a clareza sobre as coisas da vida ou a proximidade de um possível fim, os faça aproveitar tanto cada momento, como se não houvesse amanhã. Como se a felicidade nada mais fosse que o riso que está por vir, exatamente no próximo segundo em que eles abrirem a boca para dizer algo totalmente ousado, audacioso e descompromissado. E nesse ponto, eles se parecem muito com as crianças, são elas que não tem a menor preocupação de se fazer entender, de significar.
Em ambos os casos, o que os move, é a verdadeira vontade de se expressar. Seja como for.