Dia de sol na Lagoa Rodrigo de Freitas, 30 graus e uma brisa geladinha pela manhã.
O calor trouxe de volta o ânimo dos atletas e dos aspirantes a tal posto, entre eles, eu, é claro, que ando por ali em estado de graça, mais suspirando do que aspirando qualquer coisa.
E entre uma e outra passada, um e outro devaneio.
Registrei pessoas e momentos que se misturaram ao clima e a paisagem do local:
O gordinho e a calopsita. Sim. Enquanto muitos passeiam com cachorros das mais variadas raças, tamanhos e pedigrees, eis que me aparece um senhor de meia idade andando calmamente com o dedo esticado, onde se via esse simpático pássaro, que naquele dia, escolheu caminhar ao invés de usar as próprias asas. Lei do menor esforço? Preferi pensar que ele estava “aninhado” ali e extremamente confortável, combina mais com a poesia do lugar.
O velhinho e a Harley. Sim, sim. O sonho da juventude está mais do que vivo para esse outro senhor de cabelos brancos ao vento, jaquetão preto, no maior estilo bad boy da melhor idade. Conclui que de fato, as pessoas são exatamente da forma como se sentem.
O mesmo casal de labradores. Sim. Caminham com maior regularidade do que eu, inclusive. São umas graças e são hidratados cuidadosamente com água de côco. Melhores do que eu, inclusive.
O bebê e a “bikevelocidade”. Sim, sim, sim. O que dizer daquele sorriso quase 100% gengiva do bebê que estava em êxtase ao sentir a mãe acelerar a bicicleta? Muito lindo. Já se vê que ele vai crescer gostando de fortes emoções, e o pai poderá dizer: “Culpa da mãe”.
Os velhinhos tarados. Não e não. Apesar dessas figuras existirem em todo canto, elas diminuem o encanto da caminhada matinal interrompendo os meus pensamentos com aquelas cantadas bregas (e isso deve ser culpa do Viagra).
Assim mais um dia começa. E ao observar pessoas tão curiosas fico a imaginar o que virá com o passar das horas.