- “E que tenha tantos sonhos quanto eu possa acreditar”.
Adoro a sinceridade dos bêbados. Tenho uma teoria que eles não mentem, apenas dissimulam algumas pequenas coisinhas.
E sob o efeito entorpecedor do álcool, que nos leva a realidades distantes e nos conecta diretamente com o lado esquerdo do cérebro, ou melhor dizendo, com o lado esquerdo do peito, surgiu essa declaração vinda de um amigo muito querido.
Pensei: – “Que pessoa atípica”.
Ele é objetivo, lógico, matemático, contestador e por esse mesmo motivo tudo deve ser provado, referendado, até que se prove o contrário, provas, provas e mais provas. Materiais, físicas e todas as que forem reais aos olhos e, portanto, mais fáceis do cérebro racionalizar.
Altas horas no bar e o amor entra na roda. O amor e suas definições, o amor e suas abstrações.
Depois de algum tempo tentando explicar o que seria o amor para ele, surgiu essa frase que trasncrevi lá no começo. Vieram dele o sonho e o acreditar como definições do amor. E nessa hora, eu me vi emocionada.
Foi quase como um desabafo. Logo após concluir que o único amor possível era aquele impossível de acontecer, ele próprio se mostrou querendo acreditar. E desejou que alguém acreditasse nele.
Se me perguntassem no momento, qual seria a minha definição de amor, juro que não saberia descrever, nem em prosa, nem em verso. Passei dias a pensar no assunto, e nessa frase que não me saía da cabeça.
Percebi que apesar dele querer muitas vezes ser o dono de todas as razões, a emoção o pegou de jeito.
- “Que bom” – pensei.
Para mim, o amor também passou a ser acreditar. Acreditar em uma pessoa, em um sentimento, no amanhã e no sonho.
E esse acreditar no fundo se traduz em uma palavra – esperança.
Mas vou encerrar relembrando a letra da música do Barão Vermelho (Amor meu grande amor):
“Amor meu grande amor;
me chegue assim bem de repente;
e quando eu te encontrar;
Meu grande amor;
Por favor, me reconheça…”
ps: Ainda bem que entre um copo e outro, meus amigos me dão inesquecíveis presentes.
Escrito por unseoutrosdevaneios