Abre parágrafo

Setembro 18, 2008

Noites e noites em claro.

E me vem aquela idéia fixa na cabeça: esquecê-lo. Mas logo em seguida, esqueço. Desisto no próximo instante. E fico horas tentando me convencer de algumas coisas, converso comigo, com Deus e com o anjo da guarda dele.

Um dia escrevi uma história. Até hoje, foi a única que entreguei em mãos, de todos aqueles que aparecem nos meus devaneios. Apresentei a minha versão, impressa em páginas coloridas. Na época, pensei finalmente ter encontrado alguém para quem pudesse contar os meus pensamentos. E só a partir daí, tive coragem de publicá-los. Essa foi a contribuição que ele tem na minha vida.

Penso o quanto é difícil trazer à tona o que está fundo em nós e tornar as coisas públicas. É o desafio de experimentar uma exposição que pode nos ferir ou nos salvar. É como andar cego e descalço em um campo minado. É esquecer que existem críticas, julgamentos, opiniões diferentes da nossa. É o exato momento em que os outros não importam. 

Lembro ter lido, uma vez, que é muito mais fácil machucar um coração que está aberto. Porque, nessa condição, ele está exposto, acessível. E daí nasce o medo. Aliás, não sei se o medo vem antes ou depois. No começo, o medo é um silêncio sufocante mergulhado na expectativa do outro gostar de quem somos, de nos aceitar, decidir ficar do nosso lado. Então, alguns, ao invés de se preservarem, se escondem. Mas com o tempo, o medo reside em uma fragilidade que anda de mãos dadas com os nossos sentimentos, e os tornam instáveis. O medo é a dúvida.

Então, apesar de ter tornado público, pela primeira vez,  o que eu pensava, acabei contando a história pela metade. Algumas vezes me motivei a continuar, mas resolvi deixá-la como estava. Talvez porque nunca quis que ela chegasse ao fim. E aí, por incrível que pareça, deixei os fatos se desenrolarem, e a história ficou pelo meio. Ficou presa no momento. No desenrolar dos fatos, para os quais ainda não quis dar nenhum encadeamento, e nem sequência lógica. Mando calar a razão, por mais benéfica que seja, para poder mergulhar apenas na possibilidade de sentir.

Até porque, eu já não sei das coisas. Antes costumava pensar que sabia de tudo. Hoje, admito que não tenho todas as respostas, mas tenho as perguntas que me levarão até elas um dia. Um amigo costumava me questionar sobre isso: “Quando você vai estar pronta?”  Não soube responder. Sempre me vi como um ser em movimento, caminhando, para a evolução, quem sabe. E ao me deparar novamente com essa realidade – “não estou pronto” - repensei aquela pergunta que me fizeram no passado, só que dessa vez, me coloquei na posição de quem também buscava os porquês. E a verdade é que, em ambos os casos, as respostas ainda não se revelaram.     

Tenho esperança. Muita esperança. E acredito nos favores do tempo. Com ele vem aquela luz, que surge em meio à dúvida e ao medo, depois do caos. Só assim vou voltar a sentir, retomar a história, e então, recomeçar.

Não acredito nos fins e nem me despeço, gosto mesmo é de permanecer, e sem dúvida alguma, de continuar.


Ele move o mundo por você

Setembro 15, 2008

 Que amigo é pra todas as horas, dos momentos felizes aos tristes, a gente sabe. O que não fazemos a menor idéia é das inúmeras vezes em que eles nos dão prova do quanto é forte o laço de amizade que nos une a ele.

Simplesmente são incontáveis as vezes em que uma pessoa pensa em nós, deseja que sejamos um ser humano melhor, lembra das coisas que um dia a gente falou, reclama das nossas manias, se preocupa com a gente,  acha um absurdo aquele nosso ponto de vista, aponta os nossos defeitos e continua gostando de nós mesmo assim.

Não temos nem idéia que o outro também sente sufocar e apertar o peito quando nos vê sofrer, e se pudesse, estaria no nosso lugar suportando aquele fardo, não importa o quão pesado fosse, mas como não pode, resolve ficar do nosso lado.

E estou dizendo isso, porque são também inúmeras as vezes em que vivemos de forma tão individualista e centrados em nossas próprias vidas que não conseguimos enxergar o que o outro faz por nós.

De pensar nisso, reconheço que as pessoas que estão ao meu redor são a família que eu tenho, são o meu lar ou o que mais faz sentir mais próxima de casa, e sem dúvida, os meus melhores amigos.

Hoje essas palavras existem, porque também existe por aí um ser humano chamado Antônio Teles Jr, o Telinho, que apesar de muito cabeça dura, tem um coração enorme. Ele move o mundo por nós, e se houver algum dia em que não faça isso por alguém, é porque, certamente, ele ainda não conhece essa pessoa.

Não é à toa que chama todos de ”mano” e “mana”. Para ele, todo mundo é irmão.


Pérolas

Setembro 14, 2008

Algumas frases merecem ser imortalizadas. São aquelas que não se sabe porque, nem quando, nem onde, foram ditas. Simplesmente fizeram questão de existir, mesmo em contextos inimagináveis. Esse texto é feito com a contribuição dos meus amigos, então à medida em que lembrar de outras situações, vou alimentando, beleza? Como podemos contar o milagre, mas não o nome do santo, as identidades serão omitidas, e portanto, secretas.

“Não digo nem que sim, nem que não. Muito pelo contrário”  (Alguém em estado de confusão mental)

“Tem dias que à noite é assim…”  (Alguém em estado de confusão temporal)

“A minha vida não é uma micareta”  (Alguém em estado de confusão amorosa)

“Entre os dois Fernandos, eu prefiro o Daniel”  (Alguém em estado de alto teor etílico)

“Se fores boa demais pras pessoas, as pessoas nunca vão ser boas o suficiente pra ti. Depois falamos sobre isso. Não estou no estado consciente da matéria”  (Alguém no estado “insconsciente” da matéria).

“Ele me tocou lá no fundo, mas amigo, eu não sou pederasta”  (Alguém tentando falar de emoções sem frescura).

“O amor não faz piriplimplim”  (Alguém em estado de êxtase filosófico).

- “A gente pode conversar direito?”

- “Se quando você falar, não babar em mim, pode”  (Alguém 1 e 2 jogando conversa e saliva fora).

“Se você fizer disso um drama, vai ser um drama, mas se não fizer disso isso drama, não vai ser um drama”  (Alguém tentando falar que despedidas não precisam ter tanto drama, apesar de não economizar o “drama” na frase).

- “Eu amo com a intensidade de mil sóis”

- “Que FASE”  (alguém 1 tentando parafrasear Shakespeare na night e alguém 2 dando o seu feedback).

CONTINUA…

- “Tem cada um que sai com cada uma…” (Alguém em estado de indignação pelo [mau] gosto alheio)

- Nem todos os homens são filhos da puta…

- Não. Só os que a gente gosta. (Alguém 1 e 2 em estado de esperança desacreditada).

- Qual é o seu tipo [de homem]?

- Eu não tenho tipo, tenho pressa. (Alguém 1 e 2 em processo contestável de seleção)

[Ao ver uma mulher sentada]:

- Posso te fazer uma pergunta? Ele veio?

- An? Ele quem?

- Ah… uma mulher bonita sentada numa festa, deve estar esperando alguém.

- Não querido, estava folgando os meus sapatos.

[Insistiu]: Mas ele veio?

- Os sapatos? Vieram comigo, desde lá de casa. [Alguém 1 e 2 diante de um péssimo approach]

Continua…


“Ensaios sobre a cegueira”

Setembro 14, 2008

 

Às vezes olho para as pessoas muito sinceramente. E ao ver algumas coisas, meu olhar entristece. Reconheço em muitas delas, um mundo de possibilidades, e lamento que elas ainda não tenham conseguido enxergar direito. Mas acredito, de forma também sincera, que cada um tem o seu tempo de entender o que hoje me salta aos olhos. E, por enquanto, fico esperando e torcendo que esse dia chegue.

Penso também como seria se eu fosse espectadora da minha própria vida. Se visse todos os momentos passarem como um filme. Será que gostaria do papel que estou desempenhando? Com alguma frequência tento me colocar nessa posição para analisar o que tenho feito de certo ou errado. Nem sempre chego a muitas conclusões. Mas, algumas delas, com certeza, modificam o meu modo de ser.

A verdade é que carregamos em nós uma boa dose de cegueira, sobre as coisas que não queremos ver, ou muito pior, que não gostaríamos que ninguém visse.

Nunca havia me passado pela cabeça o quanto é difícil olhar fixamente nos olhos de outra pessoa, até que uma psicóloga, certa vez, me sugeriu como exercício regular, que realizei durante uma semana. E nesse tempo, descobri que as pessoas não se olham. Fitam o tempo e o espaço com muito mais facilidade do que as outras pessoas e do que a si mesmas. E constatar isso, me faz pensar numa frieza que não deveria existir em ninguém. Agora, quando posso, tento olhar para as pessoas sinceramente, às vezes me alegro, noutras entristeço, mas sempre busco nelas, alguma coisa para observar com mais atenção.

Olhar não é como dar os primeiros passos, comer, dormir, ou tudo aquilo que fazemos mecanicamente, fisiologicamente. Requer um pouco mais de inteligência, altruísmo, e principalmente, boa vontade. Porque é disso tudo que o mundo tão anda carente. E turvo.

“Gosto quando olho pra você, gosto ainda mais quando o seu olho vem, na direção do meu/ Gosto ainda mais quando esquecemos onde estamos e olhando em volta escolhemos, a mesma coisa para olhar/ Gosto quando olho com você o mundo e gosto mais do mundo quando posso olhar pra ele com você” (Moska).


Sobre as coisas da vida e da morte

Setembro 10, 2008

Hoje me deparei com um pensamento inusitado.

Por que as pessoas precisam anunciar q morreram? Para que os outros deixem de entregar as contas pelos correios? Para ocuparem aquele pequeno espaço, meio mórbido, em uma página despercebida de jornal?

Que diferença faz o 7º dia de falecimento? Uma semana que a pessoa se foi e aí? Reza-se todos os dias, penso eu, e não em datas pré-determinadas.

Não estou discutindo religião e nem menosprezando as crenças alheias. Só não vejo utilidade prática nesses pequenos rituais que se fazem até hoje. Aliás, faço parte daquele grupo que diz que política, futebol e religião não se discute.

Tenho pensado mesmo em fé. Fé na vida e não nas palavras ditas depois da morte.

Sei lá…

As pessoas deveriam anunciar que vivem. Mesmo na lápide. Isso sim.

Outra dia pensei na minha, que não seria aquelas coisas de “mãe amada e filha querida e não sei o que lá”.

Penso em algo bem simples, como: Nayla Soutelo, “Amou demais” 

Isso já se relaciona a tudo. Pessoas, coisas, fatos, pensamentos e palavras. Mas as minhas, as digo em vida, porque é quando fazem todo o sentido, pelo menos para mim.

Como diria o Paralamas naquela música: “não vê que a sua vida encerra em uma nota curta nos jornais?” Viram? Simplesmente não quero que ninguém anuncie a minha morte. Afinal, sempre tive muito mais história para contar.

Quem sabe antes de morrer eu não faço um livro, e se não houver outra saída, um Informe Publicitário?