Achei que daria um bom título.
Romancear é colocar um pouco mais de sentimento nas coisas do dia-a-dia. É acreditar em uma coisa apesar dos pesares, no matter what.
Hoje ouvi um amigo falar sobre o tempo em que ele foi idealista, com um certo saudosismo, daquele tempo em que ele acreditava em alguma coisa, e que hoje só restava a realidade. A dura realidade… Só será assim se você colocá-la nesses moldes – pensei. Antes de tudo é preciso dar a chance de enxergar o outro lado.
Romancear é a arte de pensar na beleza das coisas, mesmo frente às dificuldades.
Que o Rio de Janeiro é menos divertido com chuva, mas que dá tempo para você ficar em casa, de preguiça.
Que as pessoas ao redor não o compreendem porque às vezes não sabem lidar com a própria imcompreensão.
Que há beleza naquela música com 50 versos ruins, quando você ouve 1 lindo que fala de amor.
E que algumas lágrimas, às vezes, são o caminho da sua renovação. Por isso, também é preciso deixá-las rolar.
Romancear é dar espaço aos seus sonhos malucos, às palavras bobas e aos atos impensados. Afinal, quem romanceia não pensa nos atos. Age, tão somente.
Outro dia, li que Rubem Alves dizia não escrever romances porque não se dava bem com as estruturas de “princípio, meio e fim”. Concordo.
Por isso, estou por aí, romanceando. Escolhendo dar continuidade a uma ação, que pode modificar todas as outras da minha vida. Para vê-la com os melhores olhos que tenho, os que verdadeiramente enxergam, mesmo se estiverem fechados.
Lembrei do final do filme Inteligência Artificial: “Ele dormiu e foi pela primeira vez para o lugar onde nascem os sonhos”.
Lá estou e ao mesmo tempo aqui, romanceando…
Escrito por unseoutrosdevaneios
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