Presente de mãe

Novembro 29, 2008

Outro dia, minha mãe tirou uma palavra do dicionário e deu um novo sentido para uma fase da minha vida. Ela tem essa incrível capacidade.

“Um dia algo te tira o chão só para você descobrir que tem asas” – pensei.

Daí vem a palavrinha para os novos tempos: resiliência.

Resiliência (significado dicionário): “é a quantidade de energia que pode ser absorvida por um material, até o limite de sua elasticidade, sem que ele seja deformado”. Ser resiliente significa absorver impactos sem se deformar”.

Resiliência (trecho retirado de bloq): “Resiliência é sinônimo de humildade. Ser resiliente é se confessar ignorante; é aceitar que as mudanças são inevitáveis e necessárias, mesmo que a gente inicialmente não as entenda e tenha medo delas”.

Sabedoria materna… um dia eu chego lá.


A fazer poesia

Novembro 27, 2008

Nada contra o óbvio ululante,

Mas li, certa vez, que ninguém o desconfia.

E mente inquieta que sou,

Passo sim, os dias, a fazer poesia.

 

Se me prendesse ao óbvio,

Superficial eu seria,

Mas ao contrário,

Quero dar novos sentidos ao sentido.

E tornar a fazer poesia.

 

E ver os horizontes com olhos de beleza,

E voar alto, até onde o sentimento me guia.

Você não precisa entender quem cria,

Se houver, nos olhos seus, um pouco de mais de poesia. 

 

E aí, você vai ser rima, ritmo e verso.

Sol e luz do dia.

Riso, prazer e encanto.

E noutras horas, pranto.

Mas, com certeza, um pouco mais de fantasia.

Que pode reverter-se em verdade.

Como não poderia?

Se sentimentos, reais ou não, também fazem poesia?

 

A origem, não importa.

Se até o óbvio abriu uma porta,

Para dizer que um dia,

Se pode olhar mais fundo,

Olhar para o mundo,

A fazer poesia.


Retratos da imperfeição

Novembro 26, 2008

Para nós, falta algo.

Para alguns fisicamente: uma perna, um dedo, um braço. Para outros: um sorriso, uma esperança ou um despertar.

E ao trabalharmos essas ausências algo acaba por nascer em contraposição aquilo que nos carece. E a sensação de completar-se é indescritível.

Mas, para chegar até esse ponto, temos que rever os nossos retratos, esses que não folheamos há tempos cá dentro de nós. Esses que se cristalizaram em algum momento de nossa existência, exatamente aqueles que não são felizes.

E aí, faz-se a catarse de Freud. Assim eliminam-se os traumas, curam-se as feridas e damos espaço a coisas novas.

Ser inseguro e imperfeito é o futuro retrato da segurança.

Ser egoísta e imperfeito é o futuro retrato da generosidade.

Ser louco e imperfeito é o futuro retrato da consciência.

Ser inquieto e imperfeito é o futuro retrato do equilíbrio.

Ser retrato e imperfeito é ser você  por um momento. E estar a um ‘click’ da perfeição.