Volta e meia isso acontece. E penso: será o espírito natalino? As várias doses que se antecipam à saideira? Serão os novos formatos de relacionamento? Os descompromissados, descasados, desencantados?
Esses dias, ouço as pessoas falarem de amor. Homens, mulheres, jovens, “idosos”, todos ligeiramente preocupados. E continuo escutando. Amor e amargura. Tudo junto. E uma enorme descrença, o que é triste, no fundo.
Não sei se é exatamente disso que o amor se trata. As pessoas comentam as suas paixões mais frequentemente quando elas terminam. Talvez porque no transcorrer de cada uma delas, o que mais fala são os olhos. Quem sabe eles digam verdades que não possamos expressar em palavras? Não são eles os espelhos da alma?
Prefiro enquanto falam os olhos, porque ultimamente, ao ver ou ouvir alguém falar de amor vejo reflexos de um silencioso desespero.
Vieram me falar de amor. E eu tenho escutado pacientemente, para um dia, aprender a falar dos meus, sem qualquer desatenção.
Vieram me falar de amor, talvez para que eu lembre que ele existe por aí, ou em alguém, enquanto ele ainda não estiver em mim.
Lembrei de uns versos da música do Leoni que fala do amor sempre como “algo mais”:
“Eu estou falando de amor e não da sua doença, e tô falando de amor e não do que você pensa”.
Que me venham outros pensadores…
Escrito por unseoutrosdevaneios
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