Vieram me falar de Amor

Dezembro 26, 2008

Volta e meia isso acontece. E penso: será o espírito natalino? As várias doses que se antecipam à saideira? Serão os novos formatos de relacionamento? Os descompromissados, descasados, desencantados?

Esses dias, ouço as pessoas falarem de amor. Homens, mulheres, jovens, “idosos”, todos ligeiramente preocupados. E continuo escutando. Amor e amargura. Tudo junto. E uma enorme descrença, o que é triste, no fundo.

Não sei se é exatamente disso que o amor se trata. As pessoas comentam as suas paixões mais frequentemente quando elas terminam. Talvez porque no transcorrer de cada uma delas, o que mais fala são os olhos. Quem sabe eles digam verdades que não possamos expressar em palavras? Não são eles os espelhos da alma?

Prefiro enquanto falam os olhos, porque ultimamente, ao ver ou ouvir alguém falar de amor vejo reflexos de um silencioso desespero.

Vieram me falar de amor. E eu tenho escutado pacientemente, para um dia, aprender a falar dos meus, sem qualquer desatenção.

Vieram me falar de amor, talvez para que eu lembre que ele existe por aí, ou em alguém, enquanto ele ainda não estiver em mim.

Lembrei de uns versos da música do Leoni que fala do amor sempre como “algo mais”: 

“Eu estou falando de amor e não da sua doença, e tô falando de amor e não do que você pensa”.

Que me venham outros pensadores…


O não e o contrasenso

Dezembro 18, 2008

“Eu nunca me apaixonei, nem quero. Não quero enganar ninguém”.

Foi assim que um “menino”, até então, disse que nunca iria se entregar a alguém.

E eu rebati: “Então prepare-se amigo, pois ainda vai”.

A negação é o caminho mais reto para fugir da realidade. Mas um dia, a verdade bate à porta. Mesmo que não tenhamos nos preparado para ela.

E de muitos “nãos” é que se faz a contradição. E assim vem a dúvida, e depois cai a ficha. E assim, desse jeito bem previsível, se faz uma paixão… Dessas que nos aperta o peito por mais que não queiramos, e acreditem – nunca queremos – senti-la. Aliás, sentir, até queremos. Não queremos que doa. E aí sim, é que mora o porquê da negação. Aí está o contrasenso.

Ao ouvir essa frase, depois de um e outro copo, que por incrível que pareça, desperta a minha lucidez, pensei: “Que triste”.

E comentei com uma grande amiga o meu lamento. Cheguei a conclusão que ele não havia nada para dar pra ela, simplesmente porque ele não tinha o que dar.

Só se pode oferecer algo de que o coração esteja cheio. E se o coração dessa pessoa ainda não foi tocado a tal ponto, nada se pode esperar dele.
Pena que para não enganar ninguém, as pessoas continuem enganando a si próprias…


O caminho do meio

Dezembro 1, 2008

Ainda hei de encontrar o caminho do meio.

Nem que seja um tortuoso desafio,

Nem que seja por atalhos ou desvios,

Pois sei que é um caminho que se percorre sozinho. 

Pois não há quem indique como seguir,

Quando se desloca para dentro de si.

Ainda encontro o caminho do meio,

Onde caminharei com passos retos, calmos e firmes,

Tendo certeza que descobri a direção;

 Sem me preocupar exatamente com o destino.

E tão somente com os próximos passos.

Um após o outro. Um de cada vez. 

E assim talvez, achar o caminho do meio

E ser nem tão doce, nem tão fria

Nem tão crédula, nem tão descrente

Nem tão sábia, nem tão néscia.

Nem tão responsável ou inconsequente.

Nem tão risos ou nostalgia.

Nem tanta saudade.

Nem tanta beleza.

Nem tanta verdade.

Nem tanta tristeza.

Nem muito, nem pouco, nem tanto.

Portanto, é um caminho que se faz a cada passo.

E que meus pés descalços,

Não descansem até chegar lá.