Ando pensando nisso: que a meia verdade é uma mentira muito bem intencionada.
E como de boas intenções o inferno está cheio, de acordo com aquele velho e conhecido ditado, as meias-verdades estão também fadadas a serem descobertas em sua totalidade. Certamente para o desespero de todos aqueles que são “meio-sinceros”.
Cresci aprendendo que as consequências da verdade são sempre menos piores do que das “mentirinhas” que contamos no dia-a-dia.
Tem gente por aí que mente para ser politicamente correto. E só de ser “político alguma coisa” já é considerado, na minha opinião, duplamente mentiroso.
Tem gente que mente para manter as boas maneiras. Boas?
Ahn… (sem comentários)
Tem gente que mente para manter as aparências e preservar a própria imagem. O problema é que imagens, projeções por elas mesmas, são mutáveis, e se não correspondem à essência da pessoa, podem vir abaixo.
Tem gente que mente por hábito, tem gente que mente por vício. Tem gente que mente tão bem que acredita na própria mentira. Tem gente que mente até o orgasmo. Resumindo, tem muita gente que mente.
Agora vamos para o outro lado. A galera da verdade nua e crua.
Odiamos eles. Assim como odiamos certas verdades.
São pessoas seguramente polêmicas. E sabem disso. Não tem medo de opinar. Não tem medo de criticar. Não tem medo de chocar. Não temem levantar falso testemunho, as CPIs e a Polícia Federal (risos). São pessoas seriamente comprometidas com suas opiniões. Mas são como os peixes, morrem pela boca.
No entanto, gostam da verdade ácida e seca, ao bom estilo Nelson Rodrigues.
Tem gente que diz que mente para amenizar a situação e por considerar os sentimentos das pessoas envolvidas. Mas a galera da polêmica, não mente para inflamar as idéias, os egos, quebrar os dogmas, sacudir a opinião pública, a turma de amigos, a família, a vizinhança, etc, etc. E, fazendo isso, também consideram os sentimentos das pessoas envolvidas.
E ironia da vida ou não, assim como os “meio-sinceros” reconhecem quando os “sinceros” estão mentindo, estes por sua vez, também reconhecem quando escutam uma “meia-verdade” ou a mais completa mentira. E assim equilibram-se as relações sociais. Como se fosse a homeostase do corpo ou o equilíbrio ecológico, ou qualquer uma dessas relações que acontecem em cadeia em que geralmente alguém tem que ceder em prol da “sobrevivência” do grupo.
E aí? Meias-verdades ou meios para a verdade?
Vou citar Cazuza aqui, porque o que seria do amor se não um monte de boas mentiras/ilusões que nos levam até a gostar de outra pessoa:
“O teu amor é uma mentira, que a minha vaidade quer”.
Pelo menos ele admite…
Escrito por unseoutrosdevaneios
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