Abril 26, 2009

[O "início" de um recomeço - antiga e atual entrada do meu antigo e finado orkut]

Voltei a escrever
“Prosear” em verso
E confesso que há uma estranha liberdade em manipular a palavra
Que muitas vezes fala por si só

Na ordem direta
Ou no inverso da ordem
Agora posso falar da desordem que é ser mulher
E ainda assim gostar

Voltei a versar
Aquela longa prosa entre eu e eu mesma

E agora
Mesmo que possa me custar,
Voltei a escrever
A falar por mim
A ser mulher, desordem, e livre
E gostar.


Ímpeto

Abril 26, 2009

[Em alguma madrugada afora, em um tempo que não o agora, nasceram esses versos. E faço já uma errata, da paixão vieram, e não do amor, como houvera antes confessado].

“Ímpeto”

O amor não tem lógica
Nem razão, nem nexo
É complexo
E não faz o menor sentido
Então porque tantas pessoas o sentem?
Algumas sentem tanto,
enquanto outras apenas sentem muito…

O amor é inconsequente, descabido, desmesurado.
E contrário a tamanho descontrole,
consegue ainda ser um tanto devotado.

O amor não satisfaz, porque sempre se busca um pouco mais.
O que fazer?
Não há como alimentar um amor menor,
Comedido, tímido.
Antes não amar, do que amar um amor reprimido.

Aos amores, incompreensão.
Aos amantes, perdição.
Aos que ainda não amaram, inquietação.
Aos que não mais amam, comiseração.


/join #Amapa

Abril 23, 2009

Quem diria? Quando a internet estava apenas começando, eu estava lá. Naquela época em que se comprava um pacote de horas para acessar a internet. No tempo em que eu esperava ansiosamente as madrugadas para poder ouvir aquele barulhinho da conexão discada. Que fase.

Ótima fase. A galerinha do MIRC, os IRContros, os nicks e aquele bando de janelinhas piscando na tela do computador, os pvts.

A febre era tanta, que na sala de aula, sempre algum amigo pegava um pedaço de papel e desenhava o canal #Amapá, colocava os nossos nicks lá e começávamos o bate-papo “pseudo virtual” na maior bagunça.

Era tempo de muitas conversas veladas, de segredos, bastidores, azaração, apostas e até casamento. Sim… casório. Eu sou casada virtualmente com um grande amigo meu, que coincidentemente, vai casar agora na vida real.

Eu tinha outra identidade, era ^Sabrina, “Brina”, para os íntimos. E todo mundo me perguntava o porquê desse nick se o meu nome era completamente diferente, e eu respondia, que era uma questão de simpatia com o nome ou simplesmente para preservar a minha identidade dos mais incovenientes.

Fiz amigos virtuais que se tornaram reais e de longa data, pois o MIRC acabou, mas as conversas continuam pelo MSN, trocamos depoimentos pelo orkut, compartilhamos idéias em blogs e tudo o mais.  Eu sou dessa época, da revolução digital. O meu primeiro namorado foi virtual e nem um pouco platônico.

E hoje em dia se prolifera com uma velocidade impressionante o número de formas de interação pela web, são tantas, que eu me sinto em constante fase de inclusão digital. Mas, sou uma “old fashion girl”, sinto uma saudade lá do começo, do barulhinho da conexão, de acordar no meio da noite, da galerinha do MIRC e daqueles ares de novidade.


Palavreando

Abril 14, 2009

Deus me fez capaz de muitas coisas, e eu, pela vida e pelas experiências, me fiz incapaz de algumas.
Uma delas é não voltar atrás. E para não correr o risco de dizer “nunca”, eu quase nunca volto atrás, como naquele provérbio que diz existirem três coisas na vida que não voltam atrás: a flecha lançada, a palavra proferida e a oportunidade.
Fico pensando particularmente sobre a palavra. As palavras são uma parte muito significativa da minha vida. Penso que elas diferenciam o Homem, traduzem a inteligência, os pensamentos, os sentimentos, insuflam almas, determinam ações, geram movimentos. Talvez por considerar a importância que as palavras têm para mim, elas soem diferente do que para a maioria das pessoas.
E a cada dia aprendo a conviver com as minhas palavras, uma das minhas últimas grandes lições foi aprender a ouvir, refletir e depois emitir opinião sobre determinada coisa. E só de pensar quantas coisas na vida são ditas sem pensar…

Certa vez me foi dito que as palavras são como sementes, e eu não poderia dar melhor definição, imagino que quando são boas, elas frutificam e se multiplicam por muito e muito tempo e para pessoas além daquelas a quem imaginamos dizer alguma coisa. E quando ruins, acho que envenenam algum lugar do coração.

E para não dizer palavras amargas acredito que a melhor solução seja ficar em silêncio por um tempo, quem sabe, dentro de nós, não exista alguma fórmula mágica capaz de curar as sementes antes de jogá-las novamente ao vento? Eu acredito em magia, porque como disse lá no começo, Deus nos fez capaz de muitas coisas e aí é que entra a oportunidade.