Liberdade para ver

Estava nas páginas amarelas da Veja, mas o que chamou a atenção mesmo foi o que veio escrito lá no finalzinho em letras pretas e miudinhas – a maneira de Jean-Paul Sartre pensar sobre a liberdade.

E de uns tempos para cá, venho confirmando a teoria dele no meu dia-a-dia. Dizia ele, não exatamente com essas palavras, mas o sentido é o mesmo: liberdade é viver feliz com aquilo que se tem. Longe de qualquer perspectiva conformista ou acomodada de ver a vida, isso faz todo o sentido.

É conhecida a pirâmide das necessidades humanas de Maslow, que fala que o Homem vai suprindo das suas necessidades mais básicas até chegar as de auto-realização que seriam também as mais intangíveis. Em uma sociedade de consumo é bastante comum pensarmos que sempre temos alguma coisa para conseguir, alcançar, seja um objeto, um cargo, um título que confira status. E não viver na cobrança de ter que subir todos esses degraus, o que na minha opinião, deve gerar uma angústia ou paranóia sem fim, deve ser a tal liberdade que Sartre falava. 

Liberdade é uma sensação que sempre esteve ali até o dia em que você desperte para ela.

Acredito que o ser humano tenha mesmo que dinamizar todos os aspectos da sua vida sejam eles sociais, intelectuais, amorosos, espirituais, etc para alcançar o equilíbrio. Mas a liberdade consiste em ser feliz com o que você já alcançou. Trata do momento presente, de olhar para ele e saber desfrutá-lo.

Tudo na vida segue um fluxo natural, mesmo que a gente não entenda. Fazer a sua parte é mais do que essencial, o caminho vai se abrir de uma forma ou de outra.

 Vira e mexe tem alguém – inclusive eu - reclamando do clima no Rio de Janeiro, ou que está muito quente ou que chove muito e faz frio. Deixando um pouco de lado as discussões sobre aquecimento global e etc, a natureza tem a sua forma de ser, ocorre em ciclos. E assim como é importante o verão, também é o outono, o inverno até chegue novamente a primavera. Isso é parte de ser feliz com o que se tem. Isso é começar a enxergar a liberdade de Sartre em todos os aspectos da vida. Portanto, se está frio meus amigos, que ótimo, vamos andar chiquérrimos, dividir um edredon e comer fondue.

Muito menos filosófico mas não menos importante, existem alguns versos de uma música do Lulu Santos que gostaria de correlacionar com o que tenho escrito sobre liberdade até agora.

“Tão bem” (Lulu Santos)

“Ela demonstrou tanto prazer
De estar em minha companhia
Eu experimentei uma sensação
Que até então não conhecia
De se querer bem
De se querer quem se tem…”

Liberdade. Está logo ali, esperando que você desperte para ela. É só saber enxergar.

Grande beijo a todos.

Nayla.

Ps: Só eu mesma para passar de Filosofia para Pop Rock nacional. Aff… (risos)

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