Já velei o sono de alguém.
Olhei atentamente, vi o encher e o esvaziar do peito, noite adentro.
Numa alegria besta.
Vi todas as feições da face durante o sono. Serenas e engraçadas.
Mas havia um sono que eu nunca havia visto até outro dia.
Alguém que velava o sono de outro que já descansava na paz do senhor.
Aqueles olhos suplicantes. Lacrimejantes. Que já não sentiam o cair das lágrimas. Mas que olhavam para ali – numa eterna esperança.
Olhos grandes e desejosos de que a vida se fizesse novamente como num sopro.
Você já desejou que alguém vivesse muito tempo só de olhar para ele?
Faça isso. É um gesto incrível de amor.
A vida é um sopro.
Mas, ao contrário do que a gente pensa, o sopro da vida não passa.
Apenas muda de direção.
Um dia (com fé) todos nós vamos entender e aprender a enxergar tudo de forma diferente. Amém.