/join #Amapa

Abril 23, 2009

Quem diria? Quando a internet estava apenas começando, eu estava lá. Naquela época em que se comprava um pacote de horas para acessar a internet. No tempo em que eu esperava ansiosamente as madrugadas para poder ouvir aquele barulhinho da conexão discada. Que fase.

Ótima fase. A galerinha do MIRC, os IRContros, os nicks e aquele bando de janelinhas piscando na tela do computador, os pvts.

A febre era tanta, que na sala de aula, sempre algum amigo pegava um pedaço de papel e desenhava o canal #Amapá, colocava os nossos nicks lá e começávamos o bate-papo “pseudo virtual” na maior bagunça.

Era tempo de muitas conversas veladas, de segredos, bastidores, azaração, apostas e até casamento. Sim… casório. Eu sou casada virtualmente com um grande amigo meu, que coincidentemente, vai casar agora na vida real.

Eu tinha outra identidade, era ^Sabrina, “Brina”, para os íntimos. E todo mundo me perguntava o porquê desse nick se o meu nome era completamente diferente, e eu respondia, que era uma questão de simpatia com o nome ou simplesmente para preservar a minha identidade dos mais incovenientes.

Fiz amigos virtuais que se tornaram reais e de longa data, pois o MIRC acabou, mas as conversas continuam pelo MSN, trocamos depoimentos pelo orkut, compartilhamos idéias em blogs e tudo o mais.  Eu sou dessa época, da revolução digital. O meu primeiro namorado foi virtual e nem um pouco platônico.

E hoje em dia se prolifera com uma velocidade impressionante o número de formas de interação pela web, são tantas, que eu me sinto em constante fase de inclusão digital. Mas, sou uma “old fashion girl”, sinto uma saudade lá do começo, do barulhinho da conexão, de acordar no meio da noite, da galerinha do MIRC e daqueles ares de novidade.


Ele move o mundo por você

Setembro 15, 2008

 Que amigo é pra todas as horas, dos momentos felizes aos tristes, a gente sabe. O que não fazemos a menor idéia é das inúmeras vezes em que eles nos dão prova do quanto é forte o laço de amizade que nos une a ele.

Simplesmente são incontáveis as vezes em que uma pessoa pensa em nós, deseja que sejamos um ser humano melhor, lembra das coisas que um dia a gente falou, reclama das nossas manias, se preocupa com a gente,  acha um absurdo aquele nosso ponto de vista, aponta os nossos defeitos e continua gostando de nós mesmo assim.

Não temos nem idéia que o outro também sente sufocar e apertar o peito quando nos vê sofrer, e se pudesse, estaria no nosso lugar suportando aquele fardo, não importa o quão pesado fosse, mas como não pode, resolve ficar do nosso lado.

E estou dizendo isso, porque são também inúmeras as vezes em que vivemos de forma tão individualista e centrados em nossas próprias vidas que não conseguimos enxergar o que o outro faz por nós.

De pensar nisso, reconheço que as pessoas que estão ao meu redor são a família que eu tenho, são o meu lar ou o que mais faz sentir mais próxima de casa, e sem dúvida, os meus melhores amigos.

Hoje essas palavras existem, porque também existe por aí um ser humano chamado Antônio Teles Jr, o Telinho, que apesar de muito cabeça dura, tem um coração enorme. Ele move o mundo por nós, e se houver algum dia em que não faça isso por alguém, é porque, certamente, ele ainda não conhece essa pessoa.

Não é à toa que chama todos de ”mano” e “mana”. Para ele, todo mundo é irmão.


Pérolas

Setembro 14, 2008

Algumas frases merecem ser imortalizadas. São aquelas que não se sabe porque, nem quando, nem onde, foram ditas. Simplesmente fizeram questão de existir, mesmo em contextos inimagináveis. Esse texto é feito com a contribuição dos meus amigos, então à medida em que lembrar de outras situações, vou alimentando, beleza? Como podemos contar o milagre, mas não o nome do santo, as identidades serão omitidas, e portanto, secretas.

“Não digo nem que sim, nem que não. Muito pelo contrário”  (Alguém em estado de confusão mental)

“Tem dias que à noite é assim…”  (Alguém em estado de confusão temporal)

“A minha vida não é uma micareta”  (Alguém em estado de confusão amorosa)

“Entre os dois Fernandos, eu prefiro o Daniel”  (Alguém em estado de alto teor etílico)

“Se fores boa demais pras pessoas, as pessoas nunca vão ser boas o suficiente pra ti. Depois falamos sobre isso. Não estou no estado consciente da matéria”  (Alguém no estado “insconsciente” da matéria).

“Ele me tocou lá no fundo, mas amigo, eu não sou pederasta”  (Alguém tentando falar de emoções sem frescura).

“O amor não faz piriplimplim”  (Alguém em estado de êxtase filosófico).

- “A gente pode conversar direito?”

- “Se quando você falar, não babar em mim, pode”  (Alguém 1 e 2 jogando conversa e saliva fora).

“Se você fizer disso um drama, vai ser um drama, mas se não fizer disso isso drama, não vai ser um drama”  (Alguém tentando falar que despedidas não precisam ter tanto drama, apesar de não economizar o “drama” na frase).

- “Eu amo com a intensidade de mil sóis”

- “Que FASE”  (alguém 1 tentando parafrasear Shakespeare na night e alguém 2 dando o seu feedback).

CONTINUA…

- “Tem cada um que sai com cada uma…” (Alguém em estado de indignação pelo [mau] gosto alheio)

- Nem todos os homens são filhos da puta…

- Não. Só os que a gente gosta. (Alguém 1 e 2 em estado de esperança desacreditada).

- Qual é o seu tipo [de homem]?

- Eu não tenho tipo, tenho pressa. (Alguém 1 e 2 em processo contestável de seleção)

[Ao ver uma mulher sentada]:

- Posso te fazer uma pergunta? Ele veio?

- An? Ele quem?

- Ah… uma mulher bonita sentada numa festa, deve estar esperando alguém.

- Não querido, estava folgando os meus sapatos.

[Insistiu]: Mas ele veio?

- Os sapatos? Vieram comigo, desde lá de casa. [Alguém 1 e 2 diante de um péssimo approach]

Continua…


Fui por pouco

Agosto 18, 2008

Estava inquieta, exatamente como disse outro dia para um amigo meu: “a pessoa que mais me atormenta ultimamente sou eu mesma”. Daí na hora não pensei muito. Recebi um convite para passar uns dias fora do Rio. E fui, assim, meio sem mais nem menos.

 Já que me apareceu um destino, ainda que temporário,  arrumei uma dúzia de coisas e passadas duas horas e meia e alguns tantos quilômetros, cheguei.

Mas, prefiro falar do retorno. Sempre volto com mais coisa na bagagem.

Voltou comigo aquela sensação de estar em casa, a tranquilidade de um amibiente doméstico, com cheiro de comida caseira, horários fixos e rotina. Embora o local tenha sido muito acolhedor, o que mexeu mesmo comigo foram as pessoas, todas elas, inclusive as “pessoinhas”.

Durante esse curto espaço de tempo, aconteceu algo simplesmente inesquecível. Existe uma parábola na bíblia que fala sobre doação, a diferença existente entre aqueles que doam aquilo que tem em abundância e a pobre mulher que dá as únicas moedas que possuía.

Eu recebi poucas moedas, mesmo sem tê-las pedido. No entanto, foram mais do que o suficiente para mim, porque era exatamente aquilo que me faltava. 

Ganhei poucas moedas e tudo ao mesmo tempo. Ganhei três pessoas para sentir saudades. 

Pode até parecer pouco para alguns, mas na verdade, o que elas me deram, era o que tinham de melhor - o que realmente são.


Sabedoria de mesa de bar

Julho 30, 2008

- “E que tenha tantos sonhos quanto eu possa acreditar”.

Adoro a sinceridade dos bêbados. Tenho uma teoria que eles não mentem, apenas dissimulam algumas pequenas coisinhas.

E sob o efeito entorpecedor do álcool, que nos leva a realidades distantes e nos conecta diretamente com o lado esquerdo do cérebro, ou melhor dizendo, com o lado esquerdo do peito, surgiu essa declaração vinda de um amigo muito querido.

Pensei: – “Que pessoa atípica”.

Ele é objetivo, lógico, matemático, contestador e por esse mesmo motivo tudo deve ser provado, referendado, até que se prove o contrário, provas, provas e mais provas. Materiais, físicas e todas as que forem reais aos olhos e, portanto, mais fáceis do cérebro racionalizar.

Altas horas no bar e o amor entra na roda. O amor e suas definições, o amor e suas abstrações.

Depois de algum tempo tentando explicar o que seria o amor para ele, surgiu essa frase que trasncrevi lá no começo. Vieram dele o sonho e o acreditar como definições do amor. E nessa hora, eu me vi emocionada.

Foi quase como um desabafo. Logo após concluir que o único amor possível era aquele impossível de acontecer, ele próprio se mostrou querendo acreditar. E desejou que alguém acreditasse nele.

Se me perguntassem no momento, qual seria a minha definição de amor, juro que não saberia descrever, nem em prosa, nem em verso. Passei dias a pensar no assunto, e nessa frase que não me saía da cabeça.

Percebi que apesar dele querer muitas vezes ser o dono de todas as razões, a emoção o pegou de jeito.

- “Que bom” – pensei.  

 Para mim, o amor também passou a ser acreditar. Acreditar em uma pessoa, em um sentimento, no amanhã e no sonho.

E esse acreditar no fundo se traduz em uma palavra – esperança.

Mas vou encerrar relembrando a letra da música do Barão Vermelho (Amor meu grande amor):

“Amor meu grande amor;

me chegue assim bem de repente;

e quando eu te encontrar;

 Meu grande amor;

Por favor, me reconheça…”   

 

ps: Ainda bem que entre um copo e outro, meus amigos me dão inesquecíveis presentes.


Observatório

Maio 19, 2008

 Às vezes, ver além é uma forma de não olhar para si.

Por isso, em tempos difíceis, me dá um grande alívio ver em ti muitas coisas que eu admiro.

Vejo em ti uma constante luta - contra as dores físicas, as pressões da vida, a distância da família e as dores do mundo.

Fico grata de pensar que tentas resolver problemas que não os teus. Todos temos tantos, não é mesmo? Mas, em muitas pessoas falta o desprendimento que tens, de apesar de tudo, olhar para o outro.

E por isso eu olho para ti, assim como tu olhas para o outro, e que bom seria se isso acontecesse em uma sucessão infinita de vezes.

Pois quando não me via, voltei o meu olhar pra ti, quando achei que não era possível, foi em ti que eu acreditei.

Olhar além pode ser deixar de ver a si mesmo, mas ao mesmo tempo, descobrimos quem olha por nós. E é nessa capacidade de enxergar que se reconhece os verdadeiros amigos.

[Lerê (sf.) - Riso solto, rasgado, grande coração e de olhar colorido].