Aí tem

Agosto 19, 2008

Se a cidade é maravilhosa, as histórias só poderiam ser mirabolantes.

E hoje fiquei pensando nos personagens que criamos, para dar mais graça aos nossos finais de semana de praia. Sim, nós levamos os tais devaneios para qualquer lugar.

Especulação. Longe de ser aquilo que se faz em finanças, vivemos de fazer um constante exercício de imaginação, que requer muita criatividade para deduzir absolutamente tudo o que vemos sobre as figuras mais curiosas da praia. Somos capazes de prever o passado, presente e futuro.

Junta-se a mim nessa prática uma amiga enriquecida de boas doses de “non sense“, ingrediente essencial para ser um bom contador de “causos”. E o mais engraçado de tudo, é quando as pessoas pegam o bonde andando e começam a acreditar nas tais histórias. Especular é pura diversão, é não ter certeza de nada, e por isso mesmo, imaginar que sabemos de tudo um pouco.

Vamos aos personagens:

A Pixotinha: criada a partir de uma desavença amorosa. ”Pixotinha” acabou por virar sinônimo de mulher baixinha. Um dia apareceu na praia muito bem acompanhada e causou furor na mulherada, inclusive o ataque de ciúmes que lhe rendeu esse título. Depois, nunca mais tivemos notícias. Especula-se atualmente o que tem feito da vida.   

Cepacol: Queimadinho de sol e saradão estilo posto 9. Não bastasse o corpo bonito, ainda tem os cabelos ao vento. Esse tipo já causou muita curiosidade, mas depois que fontes seguras nos repassaram fatos verídicos, o alvo perdeu a graça. Não mais se especula, para nós, um dos segredos é chamar a atenção pelo mistério. 

O “Maravilhoso da Bicicleta”: o apelido surgiu no dia em que esse rapaz muito bem apessoado foi passear de bicicleta em Ipanema sendo unicamente responsável por quebrar os pescoços alheios, em especial o das mulheres. Hoje em dia especula-se por onde anda a bicicleta, já que ele tem sido visto a pé, como um transeunte qualquer. 

Clark Kent: o ar intelectual que os óculos lhe emprestam já arrancaram alguns suspiros. Mas, atualmente especula-se o porquê dele estar sempre de boné.

O Irmão: é a figura mais enigmática de todas. Inclusive porque até agora não tem rosto. Pode ser qualquer pessoa que achemos minimamente parecida com um dos integrantes da “Equipe” (um núcleo inteiro de personagens que formam uma roda de amigos). Especula-se o perfil físico e psicológico desse personagem. Ele já foi várias pessoas, e até agora, não conseguimos identificar quem ele realmente é. 

A namorada do skatista: ela pôs fim a temporada dele de solteiro no Rio de Janeiro. Especula-se qual o ‘borogodó’ dessa mulher.

E assim se faz praticamente uma novela. Poderia passar horas escrevendo aqui sobre os demais personagens baseados em fatos fictícios que tanto nos divertem. Mas como disse anteriormente, é o mistério que nos move, daí não tem graça sair revelando tudo para vocês.

Mas aí tem história. E muita.


“Um certo alguém”

Junho 23, 2008

Muita coisa não me acontecia até aquele dia.

Os próprios dias eram iguais, assim como as pessoas.

E veio a mim uma pessoa que até então era apenas um alguém. Foi uma entrada premeditada em minha vida, confirmada por amigos próximos, que costumavam dizer: “Um dia você vai encontrar alguém”.

E foi assim que aconteceu. Até então nunca tinha parado para pensar na importância de alguém.

Nem sequer imaginava que alguém pudesse me fazer mudar tanto. Até que esse alguém me mostrou.

Não me importava com o celular, era apenas um aparelhinho, até o esquecia desligado, deixava a bateria na casa dos outros ou simplesmente não o atendia porque não o escutava. Até que comecei a pensar que poderia ser alguém do outro lado.

Já sou uma pessoa naturalmente preocupada com a aparência, mas me tornei praticamente uma barbie, tudo tinha que estar impecável: unhas, cabelos, maquiagem, roupa e perfuminho, vai que vejo alguém pela rua?

Penso que alguém está em todos os lugares, é um ser praticamente onipresente. Vai dizer que você nunca ouviu o padre dizendo que “se ‘alguém’ tiver algo contra esse casamento, fale agora”?  Viram? As pessoas lhe concedem a palavra em cerimônias íntimas, mostrando um profundo respeito pelo o que alguém tem ou não a dizer, sim, porque ainda lhe reservam o direito de ficar calado, se ele quiser. Intrigante.

Outra evidência da força da palavra de alguém. Todos atribuem a ele o fato de ter dito isso ou aquilo, mas mesmo conferindo a autoria dessa ou de outra frase a alguém, ele se mantém anônimo, exemplo: “Quem disse isso pra você?”

“Alguém me disse”.

E você fica sem saber…

Viram? Realmente intrigante. 

Mas voltando ao assunto, eu sempre fui da opinião que nunca se conhece alguém profundamente. Nem que seja da sua família, seu melhor amigo, bicho de estimação, não importa… Esses vocês podem até afirmar conhecerem, mas já imaginaram quanto mistério existe em conhecer tão intimamente alguém?  Alguém, é na verdade, ele próprio, um verdadeiro mistério. Seja porque pode ser qualquer pessoa que você conheça por aí, seja porque de qualquer forma ele não deixa de ser alguém.

E o que dizer das pessoas que querem se tornar alguém na vida? Alguém é ainda por cima um ser inspirador. Você certamente ficaria lisonjeado se algum dia uma pessoa quisesse ser como você, seria lindo não é mesmo? Pois então, várias pessoas querem ser alguém, mesmo sem saber, de fato, como ele é. Curioso.

Ai… Alguém… (suspiros).

A verdade é que alguém agora toma por completo os meus pensamentos.

Deixar de pensar nele, só no dia  em que os meus amigos e pessoas próximas disserem que vou conhecer um “outro alguém”.