Quando chega o momento

Janeiro 17, 2009

As vezes fala em mim a nostalgia
Me confunde os sentidos
Me despeja palavras duras aos ouvidos
Até chegar ao limite
Quando chega o momento
Em que não tenho mais tempo para o sofrimento

Daí volta em mim a alegria
Dos velhos e remexidos tempos
E dos novos ventos
Até não ter limites
Quando chega o momento
Em que tenho mais tempo para o contentamento.

Então se fazem outros dias,
Destemidos
Então mudam-se os amores e os versos

Até não ter limites, até ir além

Até quem sabe aonde?

Até o esperado dia [que é agora instituído]

Quando chega o momento
De espalhar por aí mais sentimento.


O caminho do meio

Dezembro 1, 2008

Ainda hei de encontrar o caminho do meio.

Nem que seja um tortuoso desafio,

Nem que seja por atalhos ou desvios,

Pois sei que é um caminho que se percorre sozinho. 

Pois não há quem indique como seguir,

Quando se desloca para dentro de si.

Ainda encontro o caminho do meio,

Onde caminharei com passos retos, calmos e firmes,

Tendo certeza que descobri a direção;

 Sem me preocupar exatamente com o destino.

E tão somente com os próximos passos.

Um após o outro. Um de cada vez. 

E assim talvez, achar o caminho do meio

E ser nem tão doce, nem tão fria

Nem tão crédula, nem tão descrente

Nem tão sábia, nem tão néscia.

Nem tão responsável ou inconsequente.

Nem tão risos ou nostalgia.

Nem tanta saudade.

Nem tanta beleza.

Nem tanta verdade.

Nem tanta tristeza.

Nem muito, nem pouco, nem tanto.

Portanto, é um caminho que se faz a cada passo.

E que meus pés descalços,

Não descansem até chegar lá.


A fazer poesia

Novembro 27, 2008

Nada contra o óbvio ululante,

Mas li, certa vez, que ninguém o desconfia.

E mente inquieta que sou,

Passo sim, os dias, a fazer poesia.

 

Se me prendesse ao óbvio,

Superficial eu seria,

Mas ao contrário,

Quero dar novos sentidos ao sentido.

E tornar a fazer poesia.

 

E ver os horizontes com olhos de beleza,

E voar alto, até onde o sentimento me guia.

Você não precisa entender quem cria,

Se houver, nos olhos seus, um pouco de mais de poesia. 

 

E aí, você vai ser rima, ritmo e verso.

Sol e luz do dia.

Riso, prazer e encanto.

E noutras horas, pranto.

Mas, com certeza, um pouco mais de fantasia.

Que pode reverter-se em verdade.

Como não poderia?

Se sentimentos, reais ou não, também fazem poesia?

 

A origem, não importa.

Se até o óbvio abriu uma porta,

Para dizer que um dia,

Se pode olhar mais fundo,

Olhar para o mundo,

A fazer poesia.


Assim vai ser

Agosto 20, 2008

Chorei.

Para dar adeus a tristeza.

E só assim,  ela foi embora.

Me deixou em lágrimas [cada qual que me molhou o rosto].

 

Despertei.

Para dar bom dia ao hoje.

Ficou em mim o alívio e aquela vontade louca de respirar.

No ar, novos ares:

Inspiradores.

 

Senti.

O sentimento está inteiro.

Às vezes, me foge ao peito.

Mas me pertence.  Vive comigo.

Vai aonde eu for. 

Só não vai embora. Nem se despede.

Porque gosta de permanecer.

E assim vai ser, porque assim eu sou.

“Sem dizer adeus”  (Paulinho Moska).

“Eu fiquei sozinho até pensar que estar sozinho é achar que tem alguém. Já me esqueci do que não fiz e o que farei pra te esquecer também?  Se eu… não sei. O nome do que eu sinto não tem nome que domine o meu querer”


Rsrsrs

Maio 30, 2008

Às vezes, me sorri de repente.

E se ausente estiveres, é assim que lembro de ti – a sorrir.

Aquele riso rasgado, que tão bem te desenha o rosto.

Aquele gosto alegre na boca, que leve gosto.

 

Às vezes, o teu riso é um flerte.

Daqueles que não se quer conter.

Daqueles que se observa contente.

 

Então, quando distante de mim, te imagino assim – a sorrir.

Um riso tão largo que às vezes se torna o meu.

Quase instantaneamente.

E passa a ser um riso roubado pelos lábios teus.

 

Agora anseio aquele riso inesperado;

Alegre, flerte e roubado…

Que às vezes me sorri de repente.

Mas toda vez me surpreende.


Das coisas minhas que não sabes

Maio 15, 2008

 

 

Quisera eu dizer que não me conheces.

Mas a verdade é que não me suspeitas.

Há tanto em mim, que te diz respeito.

Há tanto de ti encerrado em meu peito.

Que passastes a ser o “meu respectivo”.

 

E poderia enumerar fatos e coisas,

Das coisas minhas que não sabes,

Para dizer-te, também são teus respectivamente:

Os meus sorrisos, carinhos e melhores intenções.

O passar das horas e as longas noites que passo em claro.

 Saudades e abraços protetores para dormir.

 

Das coisas minhas que não sabes,

Hesito em dizer-te, também são teus respectivamente:

Os meus medos, desejos e ansiedades.

A loucura e a lucidez.

O prazer e o entorpecer.

E a cada dia mais – o meu sossego.