Com a palavra… você.

Agosto 23, 2009

Ninguém apontou um dedo para ele. Ninguém pontuou a questão. Apenas fizeram uma pergunta aparentemente simples: qual a sua opinião?

E ele ficou pensativo –  e eu, mais do que ele - sobre todo aquele papo. Aconteceu que certo dia, meu amigo foi incitado a falar sobre o trabalho que realizara: Esse é o melhor que você pôde fazer?

Em nenhum momento fizeram comentários impertinentes, pelo contrário, apenas uma pergunta: O que você acha?

Levei um chute na boca do estômago, quando lembrei de uma coisa que me persegue: autocrítica.

A autocrítica é uma faca de dois gumes, por um lado pode ser construtiva, por outro, é apenas cruel. Não sei vocês, mas eu geralmente não alivio nem o meu lado, principalmente quando penso que uma coisa não está do jeito que eu gostaria, sou exigente demais.

No caso do meu amigo, ele deu respostas menos duras para si mesmo, e se motivou a fazer o melhor que podia – ele é ótimo em reverter situações – usou sua autocrítica de forma construtiva e todos saíram ganhando.

Mas até o “happy ever after”, eu fiquei pensando nas perguntas retóricas, ou talvez seja a voz da consciência, uma coisa totalemente à parte de nós mesmos, que faz perguntas cortantes, aquelas que a gente nunca quer parar para pensar, mas que de vez em quando, irrompem o silêncio do dia e levam o seu pensamento para longe.

Aí está o motivo das minhas insônias, quando as tenho, meu cérebro simplesmente não consegue silenciar.

O que você não consegue parar de se perguntar? Será que essa resposta você pode dar para si mesmo?

Se quiserem tentar, aconselho praticar durante o dia, pelo menos para aqueles que ainda acreditam em sono da beleza =)

Boa sorte!

Nayla.


A Cabana, vale a pena ler.

Junho 13, 2009

Bom, vim aqui numa missão muito simples. Recomendar um livro. Dividir um livro é também compartilhar parte de um ponto de vista, de emoções e de histórias únicas. É poder conversar sobre aquilo o que se leu. Apesar da leitura ser um momento bastante particular, conversar sobre o conteúdo é algo extremamamente valioso. Sou suspeita para falar dada a minha paixão por livros. Mas, posso garantir que os livros tem me trazido bons e inesquecíveis momentos que passei com a minha família e amigos. Alguns de vocês são prova disso.

Venho aqui indicar o livro “A Cabana” para aqueles que têm curiosidade de como seria Deus e como se dá o relacionamento entre ele e a raça humana. É um livro bastante questionador, derruba alguns dogmas e faz realmente você refletir sobre a vida.

Em síntese, trata da história de um homem que teve a filha assassinada e para resolver esse grande trauma teve uma D.R com Deus.

É muito enriquecedor. Adorei.

Ah… e se você tiver algum preconceito com o gênero, achar que é auto-ajuda e etc, vou logo dizendo que quem não ajuda a si mesmo é que tem graves problemas.

Vale a pena. Um pouco mais de Deus para quem acredita e para aqueles que não acreditam é sem dúvida um pouco mais de Amor.


Eletrocardiokarma

Março 14, 2009

Entre a sístole e a diástole, uma pausa. A pressão arterial se iguala. É um intervalo pequeno, o momento do equilíbrio, é o tempo que a natureza deu para o coração descansar.

E nesse compasso também segue a vida, como o ritmo do coração, uma sequência de contrações e apertos e logo depois vem a descontração, o fluxo, a paz.

E mesmo que me encante as altas doses de adrenalina, estou curtindo essa pausa, esse período em que descontrair, relaxar é tão bom quanto viver num ritmo acelerado.

Tinha um amigo que costumava me perguntar sobre as coisas do coração. O meu vai bem, no ritmo, no compasso, e dessa vez, em paz.


Mérito

Fevereiro 13, 2009

Durante muitos anos da minha vida, uma palavrinha se fez muito presente, de forma mais ou menos questionável. E de tanto que me cercou, venho a falar sobre ela: merecimento.

Veja bem, não sou o tipo de pessoa que aceita explicações fáceis das coisas. As vezes elas não me convencem. Isso porque, em alguns momentos da vida, as pessoas repetem sem sequer racionalizar, coisas simplesmente convencionadas. Como ocorre quando alguém diz que vocë vai ter determinada coisa “porque merece” ou “fulano vai ter o que merece”, etc. Isso não é lógico, é questionável.

Nem sempre o que se espera da vida é o que se merece. E vice-versa. Porque esperar, a gente sempre espera o melhor, claro,  mas merecer… merecer é outra coisa.

Dando um exemplo fácil, posso esperar ser muito rica um dia, mas será que eu mereço?

Já houve inúmeros casos em que escutei “você é uma pessoa maravilhosa, mas eu não te mereço”, penso que a minha resposta mais inteligente para esse tipo de questão foi: “mereceria, se essa fosse realmente a sua intenção”.
Ou seja, eu não acredito que uma pessoa “não mereça” a outra. Penso que as pessoas se encontram e terminam bem ou mal uma relação de acordo com as suas intenções.

Logo, se você não foi bem em um relacionamento anterior, não quer dizer que alguém não o mereça. É lógico que você merece alguém. Não merece é ouvir: “esse fdp não te merece!” Não conforta e não explica nada. 

Ao contrário, merece sim. Nem que seja para daqui a algum tempo você saber a diferença entre uma boa pessoa e uma não tão boa assim. Nem que seja para não deixar escapar a próxima pessoa que o mereça.

Por isso, eu espero que as pessoas se encontrem. Porque esperar, a gente sempre espera o melhor, claro. Mas merecer… merecer é outra coisa.


Meias-verdades e Meios para a Verdade

Janeiro 17, 2009

Ando pensando nisso: que a meia verdade é uma mentira muito bem intencionada.

E como de boas intenções o inferno está cheio, de acordo com aquele velho e conhecido ditado, as meias-verdades estão também fadadas a serem descobertas em sua totalidade. Certamente para o desespero de todos aqueles que são “meio-sinceros”.

Cresci aprendendo que as consequências da verdade são sempre menos piores do que das “mentirinhas” que contamos no dia-a-dia.

Tem gente por aí que mente para ser politicamente correto. E só de ser “político alguma coisa” já é considerado, na minha opinião, duplamente mentiroso.

Tem gente que mente para manter as boas maneiras. Boas?
Ahn… (sem comentários)

Tem gente que mente para manter as aparências e preservar a própria imagem. O problema é que imagens, projeções por elas mesmas, são mutáveis, e se não correspondem à essência da pessoa, podem vir abaixo.

Tem gente que mente por hábito, tem gente que mente por vício. Tem gente que mente tão bem que acredita na própria mentira. Tem gente que mente até o orgasmo. Resumindo, tem muita gente que mente.

Agora vamos para o outro lado. A galera da verdade nua e crua.
Odiamos eles. Assim como odiamos certas verdades.
São pessoas seguramente polêmicas. E sabem disso. Não tem medo de opinar. Não tem medo de criticar. Não tem medo de chocar. Não temem levantar falso testemunho, as CPIs e a Polícia Federal  (risos). São pessoas seriamente comprometidas com suas opiniões. Mas são como os peixes, morrem pela boca. 

No entanto, gostam da verdade ácida e seca, ao bom estilo Nelson Rodrigues.

Tem gente que diz que mente para amenizar a situação e por considerar os sentimentos das pessoas envolvidas. Mas a galera da polêmica, não mente para inflamar as idéias, os egos, quebrar os dogmas, sacudir a opinião pública, a turma de amigos, a família, a vizinhança, etc, etc. E, fazendo isso, também consideram os sentimentos das pessoas envolvidas.

E ironia da vida ou não, assim como os “meio-sinceros” reconhecem quando os “sinceros” estão mentindo, estes por sua vez, também reconhecem quando escutam uma “meia-verdade” ou a mais completa mentira. E assim equilibram-se as relações sociais. Como se fosse a homeostase do corpo ou o equilíbrio ecológico, ou qualquer uma dessas relações que acontecem em cadeia em que geralmente alguém tem que ceder em prol da “sobrevivência” do grupo. 

E aí? Meias-verdades ou meios para a verdade?

Vou citar Cazuza aqui, porque o que seria do amor se não um monte de boas mentiras/ilusões que nos levam até a gostar de outra pessoa:

“O teu amor é uma mentira, que a minha vaidade quer”.

Pelo menos ele admite…


Personagens

Janeiro 14, 2009

Sabe aquele tipo de pessoa que passa uma única vez na sua vida para falar uma verdade irrevogável?
Pois é. Até hoje eu me lembro dele.
Nos conhecemos em um curso de roteiro para cinema. Ambos escrevíamos, dois contadores de histórias, só que ele fazia quadrinhos. Convivemos cerca de quatro ou cinco dias, devemos ter tomado um ou dois cafés no rápido intervalo de 15 minutos entre as aulas. Eu com certeza tomei mais de dois cafés…
E um dia, no último e derradeiro dia de curso, estávamos no ponto de ônibus.
Eu olhava o vaivém dos carros. E ele, me olhava. Não sei há quanto tempo exatamente fazia isso. E como sou distraída por natureza, ele só chamou realmente a minha atenção quando veio com a tal pergunta que até hoje me vem a cabeça: “Quem foi que te magoou?”
Desse jeito. Uma rápida combinação de palavras que cortou o ar e me acertou em cheio. Vindo de um amigo, vá lá. Mas de uma pessoa que havia conhecido há pouquíssimo tempo, fiquei confusa. Me perguntava se ele era bom de leitura ou se eu que fingia pessimamente qualquer naturalidade naquela fase da vida.
E fiquei tão sem resposta, que meus olhos se encheram de lágrimas. Vai ver essa era a resposta.
Depois nós conversamos por mais alguns minutos até eu descer perto da minha casa. Daí nunca mais o vi.
Exceto por um e-mail que ele mandou e eu nunca li, porque o atual “ex” da época tinha deletado da minha caixa de entrada.Ao descobrir mudei de e-mail, de senha e de ânimo. Mas ainda me lembro dele, daquela pergunta, da minha reação.
Como pode uma aula de roteiro render tanta história afinal?
Acho que por uma curiosidade natural ele se perguntava o que teria sido daquela menina triste. E um dia me achou pelo orkut.
E ele estava feliz, e dessa vez, eu também.


Vieram me falar de Amor

Dezembro 26, 2008

Volta e meia isso acontece. E penso: será o espírito natalino? As várias doses que se antecipam à saideira? Serão os novos formatos de relacionamento? Os descompromissados, descasados, desencantados?

Esses dias, ouço as pessoas falarem de amor. Homens, mulheres, jovens, “idosos”, todos ligeiramente preocupados. E continuo escutando. Amor e amargura. Tudo junto. E uma enorme descrença, o que é triste, no fundo.

Não sei se é exatamente disso que o amor se trata. As pessoas comentam as suas paixões mais frequentemente quando elas terminam. Talvez porque no transcorrer de cada uma delas, o que mais fala são os olhos. Quem sabe eles digam verdades que não possamos expressar em palavras? Não são eles os espelhos da alma?

Prefiro enquanto falam os olhos, porque ultimamente, ao ver ou ouvir alguém falar de amor vejo reflexos de um silencioso desespero.

Vieram me falar de amor. E eu tenho escutado pacientemente, para um dia, aprender a falar dos meus, sem qualquer desatenção.

Vieram me falar de amor, talvez para que eu lembre que ele existe por aí, ou em alguém, enquanto ele ainda não estiver em mim.

Lembrei de uns versos da música do Leoni que fala do amor sempre como “algo mais”: 

“Eu estou falando de amor e não da sua doença, e tô falando de amor e não do que você pensa”.

Que me venham outros pensadores…


O não e o contrasenso

Dezembro 18, 2008

“Eu nunca me apaixonei, nem quero. Não quero enganar ninguém”.

Foi assim que um “menino”, até então, disse que nunca iria se entregar a alguém.

E eu rebati: “Então prepare-se amigo, pois ainda vai”.

A negação é o caminho mais reto para fugir da realidade. Mas um dia, a verdade bate à porta. Mesmo que não tenhamos nos preparado para ela.

E de muitos “nãos” é que se faz a contradição. E assim vem a dúvida, e depois cai a ficha. E assim, desse jeito bem previsível, se faz uma paixão… Dessas que nos aperta o peito por mais que não queiramos, e acreditem – nunca queremos – senti-la. Aliás, sentir, até queremos. Não queremos que doa. E aí sim, é que mora o porquê da negação. Aí está o contrasenso.

Ao ouvir essa frase, depois de um e outro copo, que por incrível que pareça, desperta a minha lucidez, pensei: “Que triste”.

E comentei com uma grande amiga o meu lamento. Cheguei a conclusão que ele não havia nada para dar pra ela, simplesmente porque ele não tinha o que dar.

Só se pode oferecer algo de que o coração esteja cheio. E se o coração dessa pessoa ainda não foi tocado a tal ponto, nada se pode esperar dele.
Pena que para não enganar ninguém, as pessoas continuem enganando a si próprias…


O menino e o vento

Outubro 26, 2008

Nesse dia, preferi vir caminhando. É bom para a ideação. E aos poucos fui me familiarizando com o movimento da rua, os barulhos, os cheiros, as pessoas nas calçadas… O trajeto de volta a casa também faz parte da sensação de estar em casa. E sempre há muitas coisas pelo caminho.

25 graus, céu nublado, Cristo parcialmente coberto e de repente… um menino.

Um menino, um saco preto amarrado em um pedaço pequeno de barbante e o vento… que soprava a “pipa” improvisada adiante.

Um menino, um saco preto, o vento e a felicidade.

E eu… passando por ali.  Registrando aquele momento e pensando na ironia da vida: às vezes mesmo quem não tem nada, tem tudo. E eu, que tenho o suficiente, naquela hora não tinha aquela simplicidade para ser feliz.


Rubem Alves, apaixone-se.

Outubro 24, 2008

Bem… O Jô Soares não o deixou falar muito. Mas pelo pouco que foi dito, logo pude perceber o brilhantismo de Rubem Alves.

Ele subverte a ordem, inclusive porque a conhece muito bem. Teólogo, professor, filósofo, psinacalista, escritor e até dono de restaurante. Sem súvida, exerce as suas várias paixões ao longo da vida. E, no auge dos seus 74 anos, dos quais, ele só conta os anos que estão por vir, ele ainda se diz uma pessoa apaixonada pela vida, dessas que dá orgulho de ver, dessas que viram exemplo.

A natural curiosidade me fez ir atrás de algumas coisas que ele escrevera, já que o conheci tão tardiamente. Fiquei pensando se já havia lido algo dele, ou se estava confundindo com o Rubem Braga, porque eu vivo trocando nomes… E ele, vive retratando o hoje, cronista, ”fotógrafo do momento”, como se auto definiu. 

Das coisas que li, as quais, transcreverei algumas a seguir, a que mais me comoveu foi o que vinha gravado na biografia dele: ”acredita que no mais profundo do inconsciente mora a beleza”.

Acredita na beleza do ser humano e das coisas da vida, e vai além: acredita na grandiosidade das almas. É exatemente isso que passa em seus textos, o que é igualmente belo. 

O ser humano é aquilo que pensa e o que faz. Agora eu entendo…

“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar” (Rubem Alves)

“A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras. Prestar atenção ao que não foi dito, ler as entrelinhas” (Rubem Alves)

“Toda alma é uma música que toca” (Rubem Alves)

“Cartas de amor são escritas, não para dar notícias, não para contar nada, mas para que mãos separadas se toquem ao tocarem a mesma folha de papel” (Rubem Alves)

Rubem Alves lança o livro “Cantos do Pássaro Encantado”, que fala sobre o nascimento, a morte, a ressureição e o amor:

“A paixão é pura porque vive de uma coisa só: a imagem da pessoa amada. Não se trata de uma imagem mais bonita que as outras. É uma única imagem que apaga todas as outras. O apaixonado só pensa na pessoa amada. Sempre.”