Noites e noites em claro.
E me vem aquela idéia fixa na cabeça: esquecê-lo. Mas logo em seguida, esqueço. Desisto no próximo instante. E fico horas tentando me convencer de algumas coisas, converso comigo, com Deus e com o anjo da guarda dele.
Um dia escrevi uma história. Até hoje, foi a única que entreguei em mãos, de todos aqueles que aparecem nos meus devaneios. Apresentei a minha versão, impressa em páginas coloridas. Na época, pensei finalmente ter encontrado alguém para quem pudesse contar os meus pensamentos. E só a partir daí, tive coragem de publicá-los. Essa foi a contribuição que ele tem na minha vida.
Penso o quanto é difícil trazer à tona o que está fundo em nós e tornar as coisas públicas. É o desafio de experimentar uma exposição que pode nos ferir ou nos salvar. É como andar cego e descalço em um campo minado. É esquecer que existem críticas, julgamentos, opiniões diferentes da nossa. É o exato momento em que os outros não importam.
Lembro ter lido, uma vez, que é muito mais fácil machucar um coração que está aberto. Porque, nessa condição, ele está exposto, acessível. E daí nasce o medo. Aliás, não sei se o medo vem antes ou depois. No começo, o medo é um silêncio sufocante mergulhado na expectativa do outro gostar de quem somos, de nos aceitar, decidir ficar do nosso lado. Então, alguns, ao invés de se preservarem, se escondem. Mas com o tempo, o medo reside em uma fragilidade que anda de mãos dadas com os nossos sentimentos, e os tornam instáveis. O medo é a dúvida.
Então, apesar de ter tornado público, pela primeira vez, o que eu pensava, acabei contando a história pela metade. Algumas vezes me motivei a continuar, mas resolvi deixá-la como estava. Talvez porque nunca quis que ela chegasse ao fim. E aí, por incrível que pareça, deixei os fatos se desenrolarem, e a história ficou pelo meio. Ficou presa no momento. No desenrolar dos fatos, para os quais ainda não quis dar nenhum encadeamento, e nem sequência lógica. Mando calar a razão, por mais benéfica que seja, para poder mergulhar apenas na possibilidade de sentir.
Até porque, eu já não sei das coisas. Antes costumava pensar que sabia de tudo. Hoje, admito que não tenho todas as respostas, mas tenho as perguntas que me levarão até elas um dia. Um amigo costumava me questionar sobre isso: “Quando você vai estar pronta?” Não soube responder. Sempre me vi como um ser em movimento, caminhando, para a evolução, quem sabe. E ao me deparar novamente com essa realidade – “não estou pronto” - repensei aquela pergunta que me fizeram no passado, só que dessa vez, me coloquei na posição de quem também buscava os porquês. E a verdade é que, em ambos os casos, as respostas ainda não se revelaram.
Tenho esperança. Muita esperança. E acredito nos favores do tempo. Com ele vem aquela luz, que surge em meio à dúvida e ao medo, depois do caos. Só assim vou voltar a sentir, retomar a história, e então, recomeçar.
Não acredito nos fins e nem me despeço, gosto mesmo é de permanecer, e sem dúvida alguma, de continuar.