Bem-vindo ao novo

Junho 28, 2009

Outro dia estava trocando figurinhas com os amigos, quando disse que o Rio de Janeiro é o lugar da diversidade. E isso, sem dúvida, é uma das coisas que eu mais gosto aqui. Diversidade é andar na Lapa e escutar todo tipo de estilo musical, do rock ao funk, do forró a tecnomacumba (seja lá o que isso for), ir a praia e ver todo tipo de gente, misturar bossa nova com samba para ver no que dá.

Vai ver que é por causa da diversidade que se criam tão boas estampas na moda carioca, se mesclam tão bem as cores dos biquinis com a cor mestiça da pele das brasileiras. Diversidade é observar a natureza com as suas nuances.

Quem me conhece, sabe que sou cheia das implicâncias. Tenho revisto algumas para dar mais abertura à diversidade. Vi que estou numa fase ótima para experimentar. Misturei os estilos de leitura -  estou lendo pelo menos 3 livros, um de filosofia, um de crônicas e outro de ficção. Misturei torta de limão com doce de leite caseiro. Fiz um mix no meu playlist musical, no meu guarda roupa e até no cheirinho da minha casa, que agora exala capim limão, jasmim e flor de laranjeira. E sigo adiante curtindo a nova onda de diversidade, observar como tudo pode ser combinado, mesmo quando não faz o menor sentido. O sentido, afinal, cabe a nós decidir. Então, nada melhor do que experimentar só pra ver no que vai dar.


Fecha parágrafo

Maio 17, 2009

Leu algumas palavras e ponto. O ponto final. Seco e direto. Sem meio termo, sem termo, sem muita explicação. Que satisfação há de haver afinal?
E foi assim: sem ver o rosto, sem ver as lágrimas, sem ver. Desse jeito cego acabou por lançar-se nos travesseiros que ainda tinham o cheiro dele, uma mistura de Armani com tabaco. E passados aqueles dias sem o menor sentido, sem comer e sem dormir, atônita, levantou-se.
A primeira providência foi lavar a roupa. Arrumar tudo o que tinha do lado de fora, já que dentro estava a mais completa bagunça. Livrou-se, mas ainda assim, não se libertou daquele sentimento.
Eram duas as perguntas que lhe vinham a mente: o que fez? E o que faria agora?
O passado se encontrava com aquela expectativa frustrada de futuro, que se tornou, de repente, tão obscuro. Um futuro do qual, tempos antes, tinha tanta certeza.
E morreu a cada dia um pouco, tentando aniquilar a mágoa. Pensava que coisas ruins também acontecem para quem se considera ou tenta ser uma boa pessoa. E a verdade é que nunca se sabe os porquês.
“A injustiça existe”, concluiu. E de sentir-se injustiçada só imaginava que alguém teria feito justiça colocando um fim, seja ele qual fosse, naquela situação.
Pela primeira vez gostou de verdade, tanto que chegava a doer, mas depois, o que ficou mesmo foi a dor. E o gostar aquiesceu.
Passou os dias de um lado para o outro inquieta, experimentando os mais variados tipos de sentimento: raiva, rancor, mágoa, até chegar ao silêncio. Sentiu-se isolada num silêncio que nunca fez parte dela: sufocante.
E de imaginar que alguém tentou lhe dizer o que veria quando olhasse pra trás, como teria tanta certeza? - “Você não tem os meus olhos” - pensava afinal que não há o que dizer quando não enxergamos senão pelos nossos próprios olhos. E esses são os dela, que apesar de tudo, enxergam que hoje essa dor só existe porque é proporcional a quantidade de amor que se tem ou que se teve por alguém um dia.

Obs: Esse é um texto antigo, e essa é a parte da história publicável, a outra virou silêncio (Nayla Soutelo).


As coisas que a gente faz por amor

Março 21, 2009

Amor… palavra forte, não?
Os meus amores sempre foram meio calados. Vai ver por isso de vez em quando eu me pego pensando nas coisas que a gente faz por amor. Logo me passa pela cabeça as inúmeras coisas que faço ou já fiz por amor ou saudade.
Nunca fui muito ligada em música, mas confesso que depois que passei a morar longe do meu pai, acompanho atentamente vários artistas que ele gosta, troco idéias sobre as novidades do mundo da música, conheço novos e antigos estilos, porque no fundo, eu amo o que ele ama.
Além disso, ligo para minha mãe algumas vezes ao dia fazendo perguntas totalmente triviais – como se lava roupa branca, se a oferta do supermercado está em um bom preço, o número do CPF dela (essa pergunta ela não aguenta mais) – e assim, acabo por fazê-la participar do meu mundinho e da minha vida de mulher “pseudo independente”.
Às vezes releio as dedicatórias de livros que meus amigos me deram de presente. E até mesmo guardo coisas estranhas, as únicas que escapam dos meus ataques de feng shui: o bilhete do cinema, a conta de algum jantar ou reuniãozinha, o papel de algum presente, qualquer coisa que me faça lembrar de momentos importantes que passei na companhia das pessoas que eu gosto (porque como vocês sabem, a minha memória é curta).
Enfim, compro presentes, conto histórias de quem eu sinto saudades, comento a novela com os amigos por SMS, sonho com eles, e assim essas pessoas permanecem comigo. Nas minhas lembranças, nos meus atos, nas minhas quinquilharias, e com certeza, em tudo aquilo que eu faço por amor.


Mérito

Fevereiro 13, 2009

Durante muitos anos da minha vida, uma palavrinha se fez muito presente, de forma mais ou menos questionável. E de tanto que me cercou, venho a falar sobre ela: merecimento.

Veja bem, não sou o tipo de pessoa que aceita explicações fáceis das coisas. As vezes elas não me convencem. Isso porque, em alguns momentos da vida, as pessoas repetem sem sequer racionalizar, coisas simplesmente convencionadas. Como ocorre quando alguém diz que vocë vai ter determinada coisa “porque merece” ou “fulano vai ter o que merece”, etc. Isso não é lógico, é questionável.

Nem sempre o que se espera da vida é o que se merece. E vice-versa. Porque esperar, a gente sempre espera o melhor, claro,  mas merecer… merecer é outra coisa.

Dando um exemplo fácil, posso esperar ser muito rica um dia, mas será que eu mereço?

Já houve inúmeros casos em que escutei “você é uma pessoa maravilhosa, mas eu não te mereço”, penso que a minha resposta mais inteligente para esse tipo de questão foi: “mereceria, se essa fosse realmente a sua intenção”.
Ou seja, eu não acredito que uma pessoa “não mereça” a outra. Penso que as pessoas se encontram e terminam bem ou mal uma relação de acordo com as suas intenções.

Logo, se você não foi bem em um relacionamento anterior, não quer dizer que alguém não o mereça. É lógico que você merece alguém. Não merece é ouvir: “esse fdp não te merece!” Não conforta e não explica nada. 

Ao contrário, merece sim. Nem que seja para daqui a algum tempo você saber a diferença entre uma boa pessoa e uma não tão boa assim. Nem que seja para não deixar escapar a próxima pessoa que o mereça.

Por isso, eu espero que as pessoas se encontrem. Porque esperar, a gente sempre espera o melhor, claro. Mas merecer… merecer é outra coisa.


Presente de mãe

Novembro 29, 2008

Outro dia, minha mãe tirou uma palavra do dicionário e deu um novo sentido para uma fase da minha vida. Ela tem essa incrível capacidade.

“Um dia algo te tira o chão só para você descobrir que tem asas” – pensei.

Daí vem a palavrinha para os novos tempos: resiliência.

Resiliência (significado dicionário): “é a quantidade de energia que pode ser absorvida por um material, até o limite de sua elasticidade, sem que ele seja deformado”. Ser resiliente significa absorver impactos sem se deformar”.

Resiliência (trecho retirado de bloq): “Resiliência é sinônimo de humildade. Ser resiliente é se confessar ignorante; é aceitar que as mudanças são inevitáveis e necessárias, mesmo que a gente inicialmente não as entenda e tenha medo delas”.

Sabedoria materna… um dia eu chego lá.


Romanceando

Outubro 31, 2008

Achei que daria um bom título.

Romancear é colocar um pouco mais de sentimento nas coisas do dia-a-dia. É acreditar em uma coisa apesar dos pesares, no matter what.

Hoje ouvi um amigo falar sobre o tempo em que ele foi idealista, com um certo saudosismo, daquele tempo em que ele acreditava em alguma coisa, e que hoje só restava a realidade. A dura realidade… Só será assim se você colocá-la nesses moldes – pensei.  Antes de tudo é preciso dar a chance de enxergar o outro lado.

Romancear é a arte de pensar na beleza das coisas, mesmo frente às dificuldades.

Que o Rio de Janeiro é menos divertido com chuva, mas que dá tempo para você ficar em casa, de preguiça.

Que as pessoas ao redor não o compreendem porque às vezes não sabem lidar com a própria imcompreensão.

Que há beleza naquela música com 50 versos ruins, quando você ouve 1 lindo que fala de amor.

E que algumas lágrimas, às vezes, são o caminho da sua renovação. Por isso, também é preciso deixá-las rolar.

Romancear é dar espaço aos seus sonhos malucos, às palavras bobas e aos atos impensados. Afinal, quem romanceia não pensa nos atos. Age, tão somente.

Outro dia, li que Rubem Alves dizia não escrever romances porque não se dava bem com as estruturas de “princípio, meio e fim”. Concordo.

Por isso, estou por aí, romanceando. Escolhendo dar continuidade a uma ação, que pode modificar todas as outras da minha vida. Para vê-la com os melhores olhos que tenho, os que verdadeiramente enxergam, mesmo se estiverem fechados.

Lembrei do final do filme Inteligência Artificial: “Ele dormiu e foi pela primeira vez para o lugar onde nascem os sonhos”.

Lá estou e ao mesmo tempo aqui, romanceando…


Abre parágrafo

Setembro 18, 2008

Noites e noites em claro.

E me vem aquela idéia fixa na cabeça: esquecê-lo. Mas logo em seguida, esqueço. Desisto no próximo instante. E fico horas tentando me convencer de algumas coisas, converso comigo, com Deus e com o anjo da guarda dele.

Um dia escrevi uma história. Até hoje, foi a única que entreguei em mãos, de todos aqueles que aparecem nos meus devaneios. Apresentei a minha versão, impressa em páginas coloridas. Na época, pensei finalmente ter encontrado alguém para quem pudesse contar os meus pensamentos. E só a partir daí, tive coragem de publicá-los. Essa foi a contribuição que ele tem na minha vida.

Penso o quanto é difícil trazer à tona o que está fundo em nós e tornar as coisas públicas. É o desafio de experimentar uma exposição que pode nos ferir ou nos salvar. É como andar cego e descalço em um campo minado. É esquecer que existem críticas, julgamentos, opiniões diferentes da nossa. É o exato momento em que os outros não importam. 

Lembro ter lido, uma vez, que é muito mais fácil machucar um coração que está aberto. Porque, nessa condição, ele está exposto, acessível. E daí nasce o medo. Aliás, não sei se o medo vem antes ou depois. No começo, o medo é um silêncio sufocante mergulhado na expectativa do outro gostar de quem somos, de nos aceitar, decidir ficar do nosso lado. Então, alguns, ao invés de se preservarem, se escondem. Mas com o tempo, o medo reside em uma fragilidade que anda de mãos dadas com os nossos sentimentos, e os tornam instáveis. O medo é a dúvida.

Então, apesar de ter tornado público, pela primeira vez,  o que eu pensava, acabei contando a história pela metade. Algumas vezes me motivei a continuar, mas resolvi deixá-la como estava. Talvez porque nunca quis que ela chegasse ao fim. E aí, por incrível que pareça, deixei os fatos se desenrolarem, e a história ficou pelo meio. Ficou presa no momento. No desenrolar dos fatos, para os quais ainda não quis dar nenhum encadeamento, e nem sequência lógica. Mando calar a razão, por mais benéfica que seja, para poder mergulhar apenas na possibilidade de sentir.

Até porque, eu já não sei das coisas. Antes costumava pensar que sabia de tudo. Hoje, admito que não tenho todas as respostas, mas tenho as perguntas que me levarão até elas um dia. Um amigo costumava me questionar sobre isso: “Quando você vai estar pronta?”  Não soube responder. Sempre me vi como um ser em movimento, caminhando, para a evolução, quem sabe. E ao me deparar novamente com essa realidade – “não estou pronto” - repensei aquela pergunta que me fizeram no passado, só que dessa vez, me coloquei na posição de quem também buscava os porquês. E a verdade é que, em ambos os casos, as respostas ainda não se revelaram.     

Tenho esperança. Muita esperança. E acredito nos favores do tempo. Com ele vem aquela luz, que surge em meio à dúvida e ao medo, depois do caos. Só assim vou voltar a sentir, retomar a história, e então, recomeçar.

Não acredito nos fins e nem me despeço, gosto mesmo é de permanecer, e sem dúvida alguma, de continuar.


“Ensaios sobre a cegueira”

Setembro 14, 2008

 

Às vezes olho para as pessoas muito sinceramente. E ao ver algumas coisas, meu olhar entristece. Reconheço em muitas delas, um mundo de possibilidades, e lamento que elas ainda não tenham conseguido enxergar direito. Mas acredito, de forma também sincera, que cada um tem o seu tempo de entender o que hoje me salta aos olhos. E, por enquanto, fico esperando e torcendo que esse dia chegue.

Penso também como seria se eu fosse espectadora da minha própria vida. Se visse todos os momentos passarem como um filme. Será que gostaria do papel que estou desempenhando? Com alguma frequência tento me colocar nessa posição para analisar o que tenho feito de certo ou errado. Nem sempre chego a muitas conclusões. Mas, algumas delas, com certeza, modificam o meu modo de ser.

A verdade é que carregamos em nós uma boa dose de cegueira, sobre as coisas que não queremos ver, ou muito pior, que não gostaríamos que ninguém visse.

Nunca havia me passado pela cabeça o quanto é difícil olhar fixamente nos olhos de outra pessoa, até que uma psicóloga, certa vez, me sugeriu como exercício regular, que realizei durante uma semana. E nesse tempo, descobri que as pessoas não se olham. Fitam o tempo e o espaço com muito mais facilidade do que as outras pessoas e do que a si mesmas. E constatar isso, me faz pensar numa frieza que não deveria existir em ninguém. Agora, quando posso, tento olhar para as pessoas sinceramente, às vezes me alegro, noutras entristeço, mas sempre busco nelas, alguma coisa para observar com mais atenção.

Olhar não é como dar os primeiros passos, comer, dormir, ou tudo aquilo que fazemos mecanicamente, fisiologicamente. Requer um pouco mais de inteligência, altruísmo, e principalmente, boa vontade. Porque é disso tudo que o mundo tão anda carente. E turvo.

“Gosto quando olho pra você, gosto ainda mais quando o seu olho vem, na direção do meu/ Gosto ainda mais quando esquecemos onde estamos e olhando em volta escolhemos, a mesma coisa para olhar/ Gosto quando olho com você o mundo e gosto mais do mundo quando posso olhar pra ele com você” (Moska).


Uns e outros devaneios

Junho 13, 2008

Eu sou uns e outros devaneios.

Uma e outra.

Várias em si.

Nunca igual.

Sou umas e outras paixões.

Uns e outros ideais.

Um e outro sentimento.

Desiguais.

Levo essa e outra vida.

Tenho um e outro coração

Em mim [guardo vários]

Sem iguais.

E só assim sou uma e outra.

Para uns, para outros.

Para mim.

Para poucos.

Nayla e eu. (Apresento-lhes uma e outra).


Sorria (com Corega)

Maio 20, 2008

Adoro o humor dos velhinhos. Simplesmente amo.

Eles tem aquele ar despreocupado com as piadas que fazem. Como se realmente já tivessem vivido e visto tudo na vida.

Outra dia uma senhora brincou no elevador: “eu queria viver mais”. E disse que se fosse o caso, faria mais faculdades, casaria mais vezes, faria mais loucuras e queria ter tempo para viver essa diversidade de coisas.

O que eu também acho ”tragicômico” é a facilidade que eles têm para brincar com a morte e coisas do gênero, outro dia um senhor me abordou, dizendo que comeria um tartelete igual o meu, e se fizesse mal, era vela e caixão. E sorriu um riso tão gostoso que foi impossível não arrancar também um sorriso meu e da moça do balcão.

Já vi casos, em que as pessoas fazem piada até de suas doenças, das dentaduras e de todo o resto. Elas chegam ao ponto de fazer do mal-humor algo extremamente engraçado, aceitável, leve. Na minha família as reclamações da nossa “velhinha” sempre dão lugar a alguma espécie de chantagem emocional das boas, feitas só para chamar a nossa atenção.

Talvez a clareza sobre as coisas da vida ou a proximidade de um possível fim, os faça aproveitar tanto cada momento, como se não houvesse amanhã. Como se a felicidade nada mais fosse que o riso que está por vir, exatamente no próximo segundo em que eles abrirem a boca para dizer algo totalmente ousado, audacioso e descompromissado. E nesse ponto, eles se parecem muito com as crianças, são elas que não tem a menor preocupação de se fazer entender, de significar. 

Em ambos os casos, o que os move, é a verdadeira vontade de se expressar. Seja como for.